Veja, na íntegra, a carta aberta assinada pelo ex-deputado Claudio Vereza
Carta ao jornal A Gazeta
Att. Letícia Gonçalves
Cara Letícia,
Venho respeitosamente até você para propor uma reflexão comigo, provocada por sua análise do cenário político de Vila Velha em sua coluna nesta quinta-feira (27). A publicação do artigo “Eleição em Vila Velha: uma disputa sobre quem é mais "de direita?” abre caminho para nosso diálogo - que sempre foi produtivo nos tempos em que eu exercia o mandato de deputado estadual e você já era repórter.
A crise política do candidato à reeleição mostrada na sua coluna foi tema de um debate interno do PT de Vila Velha e de um texto por mim publicado nas redes sociais. Mas a perda de poder político do prefeito não foi causada somente pela entrada de um outro candidato direitista que surgiu de dentro de seu próprio partido e que disputa com ele a bandeira da direita e da extrema direita.
A firme decisão do PT lançar candidatura causou-lhe outro forte abalo, uma vez que ele contava com esses votos, como se fosse atraí-los posando ao lado de políticos de esquerda e de centro-esquerda, (ensaiando outra guinada ideológica) ao tentar escolher um vice do PSB, agindo como se um partido histórico na cidade como o PT fosse um bibelô que ele pudesse manipular à vontade.
Ostentava uma posição eleitoral tão triunfal que alardeava a todos que sua reeleição eram favas contadas e com grande margem de diferenças acima do patamar mínimo necessário para ganhar a eleição no primeiro turno. E já se sentia tão reeleito que já articula sua candidatura a governador do estado.
Rapidamente as “nuvens no céu” mudaram e o prefeito passou a viver uma CRISE com a veloz perda de liderança política e base partidária que ele julgava ter sob seu controlo devido ao fato de estar com a máquina na mão e gozar de uma mega estrutura de formação de opinião e promoção pessoal pelas redes sociais onde não fica claro a distinção entre a comunicação privada e a comunicação institucional com dinheiro público.
Com a oposição acuada com cooptações sistemáticas de lideranças de movimentos da sociedade civil e perseguições políticas o prefeito não estava acostumado com o contraditório e não se preparou para a nova conjuntura política, com fortes polos de direita e de esquerda em Vila Velha.
Mas A ESQUERDA NÃO MORREU EM VILA VELHA. Ao contrário, continuamos ativos, fortes e com boa fatia do eleitorado. Recente pesquisa Atlas Intel, divulgada neste mês de março, mostrou que o PT é o partido mais querido do eleitorado brasileiro, com 34,6% da preferência. Os demais partidos somados estão quase dez pontos percentuais atrás do PT. A ESQUERDA TEM NOMES E PROJETO DE GOVERNO NA CIDADE.
O prefeito pensava que tudo na vida da cidade se resolveria soterrando as críticas com milhares de postagens nas redes sociais, impulsionadas pela megaestrutura de comunicação que ele montou nas redes. Mas nessa nova conjuntura em que boa parte do eleitorado está exigindo definição cada vez mais clara e firme dos candidatos, está com grandes dificuldades de definir a sua identidade política, ideológica e programática para lidar com essa nova situação porque lhe falta conteúdo, falta substância e formação política para isso.
Por isso, essas mudanças de rumo apressadas, de um lado para outro, em tão pouco tempo.
O candidato à reeleição perdeu o prumo desde que veio a público a fragilidade de sua liderança no seu partido, o "Podemos”.
Com sua liderança ameaçada nesse partido deu outro passo em falso e foi se articular com os partidos de extrema direita e conservadores, mostrando a sua verdadeira posição ideológica, mas novamente a fragilidade de sua liderança veio a público, quando “o outro candidato a prefeito” que deixou o Podemos por causa da disputa interna com o prefeito o escanteou e assumiu a liderança naquele território político conservador que ele pensava dominar. Depois mudou mais uma vez de rumo e se virou apressadamente para a esquerda, mas de tão atordoado que está nesta tentativa de cooptar qualquer um que lhe dê uma tintura midiática de esquerda acabou escolhendo um militante que não é de Vila Velha e sim um quadro tradicional da política da Serra.
O aturdimento político se revela na sua atitude mais recente, como a de criar o Dia do Homem exatamente no Dia da Mulher. Cometendo uma gafe que viralizou e virou piada nacional nas Redes Sociais (justamente no meio de comunicação responsável pela ascensão de sua carreira política e onde era considerado um craque). Aproveito essa oportunidade deste dialogo com essa editoria que tradicionalmente sempre garantiu a expressão dos contraditório e a pluralidade de opinião de todas as forças do espectro político capixaba para reafirmar que a Esquerda de Vila Vela está em intenso movimento de mobilização de suas bases para apresentar uma alternativa de poder para a cidade.
Apresentaremos um candidato competitivo e um projeto inovador para realizar de verdade o “salto tecnológico” na gestão pública e no desenvolvimento da cidade como prometido pelo prefeito nas eleições passadas e não cumprido. Vamos implantar o “governo digital com participação popular”, implantar a cidade inteligente, onde a economia ganhe produtividade gerando prosperidade e empregos qualificados com salários altos e os serviços públicos funcionem com eficiência dentro de padrões técnicos e sem politicagem.
Acreditamos que dotando a cidade com uma revolução digital de uma cidade inteligente e sustentável, Vila Velha se apresentará com serviços públicos altamente eficientes, com resultados de alta qualidade para população.
CLAUDIO VEREZA
Ex-presidente da Assembleia Legislativa do ES