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Eleições 2024

Vila Velha: PSDB entra no jogo e PT se movimenta na disputa pela prefeitura

Até agora, dois pré-candidatos têm protagonizado a corrida eleitoral na cidade, mas tradicionais partidos não vão ficar de fora. "A esquerda não morreu em Vila Velha", diz ex-deputado estadual

Publicado em 01 de Abril de 2024 às 11:19

Públicado em 

01 abr 2024 às 11:19
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Sede da Prefeitura de Vila Velha, ES
Sede da Prefeitura de Vila Velha, em Coqueiral de Itaparica. De lá, o futuro prefeito vai despachar a partir de janeiro de 2025 Crédito: Felix Falcão/Divulgação
A eleição para a Prefeitura de Vila Velha em 2024 conta, até agora, com dois pré-candidatos protagonistas: o prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos), que vai tentar a reeleição, e o ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho, que mudou de grupo político ao sair do governo Renato Casagrande (PSB) e ir para o PL.
Se os ex-prefeitos Max Filho (PSDB) e Neucimar Fraga (PP) estão fora da corrida, ao menos diretamente, o mesmo não se pode dizer de dois tradicionais partidos.
O próprio PSDB, de Max, passou por uma reviravolta na semana passada: uma intervenção do presidente nacional da sigla, Marconi Perillo, colocou o grupo do ex-prefeito no comando do partido em Vila Velha.
Assim, o que antes era praticamente impossível, tornou-se viável. Max Filho já disse à coluna que não vai ser candidato, mas defendeu que o lançamento do nome de um aliado dele, o ex-vereador Maurício Gorza, à prefeitura.
Até então, o PSDB canela-verde estava sob domínio de pessoas próximas a Arnaldinho, que, naturalmente, apoiariam a reeleição dele.
O presidente nacional, entretanto, com uma canetada, tornou Maurício Gorza presidente da comissão provisória municipal.
“Ele (Gorza) é pré-candidato a prefeito. A cidade precisa de uma candidatura mais ao centro. Ele pode representar o sentimento da população que não quer não concorda com esta brutalidade. A Guarda Municipal passou a bater no cidadão de Vila Velha, bateu num vendedor de coco no final de semana” criticou Max Filho.
“(A disputa não é sobre) quem bate mais, quem tem o fuzil mais potente”, implementou o ex-prefeito.
Ele aposta, assim, de forma contrária ao que projeta o senador Magno Malta (PL), para quem a eleição vai ser polarizada “em todo o país”. Para o parlamentar, o que vai dar o tom da campanha é a guerra ideológica, à semelhança do que ocorreu no pleito nacional de 2022.
“É legítimo ele apostar nisso, mas acho que quem tem propostas para a cidade, e o Maurício tem, pode ganhar o coração do eleitor”, rebateu Max Filho.
Maurício Gorza define-se como um político de centro:
"Esta polarização não constrói absolutamente nada, é rancorosa e agressiva"
Maurício Gorza (PSDB) - Pré-candidato a prefeito de Vila Velha 
Enquanto isso, o PT, que tem tido uma atuação tímida em Vila Velha nos últimos anos, está se movimentando.
A respeito da coluna “Eleição em Vila Velha: uma disputa sobre quem é mais ‘à direita?’”, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo e quadro histórico do Partido dos Trabalhadores Claudio Vereza enviou uma carta a esta colunista.
Para o ex-parlamentar, "a perda de poder político do prefeito não foi causada somente pela entrada de um outro candidato direitista que surgiu de dentro de seu próprio partido e que disputa com ele a bandeira da direita e da extrema-direita".
"A firme decisão do PT lançar candidatura causou-lhe outro forte abalo, uma vez que ele contava com esses votos, como se fosse atraí-los posando ao lado de políticos de esquerda e de centro-esquerda", escreveu Vereza.
De acordo com ele, o PT tem dois possíveis candidatos a prefeito: João Batista "Babá" e Edson Wilson. Petistas de Vila Velha avaliam que o primeiro está mais consolidado como pré-candidato.
Se Arnaldinho Borgo vai perder votos por causa disso é outra história.
"A esquerda não morreu em Vila Velha. Tem nomes e projeto de governo"
Claudio Vereza (PT) - Ex-deputado estadual
A entrada do Coronel Ramalho no pleito, é, sim, de acordo com aliados do próprio prefeito, o fato mais relevante da pré-campanha, até agora: "Antes, não tínhamos um adversário relevante, agora temos".
E isso deve provocar efeitos diversos no eleitorado.
O bolsonarista recrudecido, capaz de escolher um candidato a prefeito somente devido à associação do nome dele ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode mudar de lado, ainda que esteja satisfeito com a gestão atual.
Já uma pessoa de centro-esquerda ou centro-direita, enfim, um eleitor moderado, pode se "assustar" com a postura de Ramalho, de radicalização ideológica do pleito, e dar um "voto útil" para Arnaldinho, que tem mais força para superar o pré-candidato do PL.
Isso esvaziaria as candidaturas do PSDB e do PT. Nesta hipótese, o Partido dos Trabalhadores, embora nacionalmente se fortaleça com a polarização política nacional (o "eu X eles"), em Vila Velha, seria prejudicado.
Os tucanos, por sua vez, já foram escanteados em meio à rivalidade PT X PL, ou antipetistas X antibolsonaristas, no país todo, e tentam se reerguer.

Veja, na íntegra, a carta aberta assinada pelo ex-deputado Claudio Vereza

Carta ao jornal A Gazeta
Att. Letícia Gonçalves

Cara Letícia, 

Venho respeitosamente até você para propor uma reflexão comigo, provocada por sua análise do cenário político de Vila Velha em sua coluna nesta quinta-feira (27). A publicação do artigo “Eleição em Vila Velha: uma disputa sobre quem é mais "de direita?” abre caminho para nosso diálogo - que sempre foi produtivo nos tempos em que eu exercia o mandato de deputado estadual e você já era repórter. 

A crise política do candidato à reeleição mostrada na sua coluna foi tema de um debate interno do PT de Vila Velha e de um texto por mim publicado nas redes sociais. Mas a perda de poder político do prefeito não foi causada somente pela entrada de um outro candidato direitista que surgiu de dentro de seu próprio partido e que disputa com ele a bandeira da direita e da extrema direita. 

A firme decisão do PT lançar candidatura causou-lhe outro forte abalo, uma vez que ele contava com esses votos, como se fosse atraí-los posando ao lado de políticos de esquerda e de centro-esquerda, (ensaiando outra guinada ideológica) ao tentar escolher um vice do PSB, agindo como se um partido histórico na cidade como o PT fosse um bibelô que ele pudesse manipular à vontade. 

Ostentava uma posição eleitoral tão triunfal que alardeava a todos que sua reeleição eram favas contadas e com grande margem de diferenças acima do patamar mínimo necessário para ganhar a eleição no primeiro turno. E já se sentia tão reeleito que já articula sua candidatura a governador do estado. 

Rapidamente as “nuvens no céu” mudaram e o prefeito passou a viver uma CRISE com a veloz perda de liderança política e base partidária que ele julgava ter sob seu controlo devido ao fato de estar com a máquina na mão e gozar de uma mega estrutura de formação de opinião e promoção pessoal pelas redes sociais onde não fica claro a distinção entre a comunicação privada e a comunicação institucional com dinheiro público. 

Com a oposição acuada com cooptações sistemáticas de lideranças de movimentos da sociedade civil e perseguições políticas o prefeito não estava acostumado com o contraditório e não se preparou para a nova conjuntura política, com fortes polos de direita e de esquerda em Vila Velha. 

Mas A ESQUERDA NÃO MORREU EM VILA VELHA. Ao contrário, continuamos ativos, fortes e com boa fatia do eleitorado. Recente pesquisa Atlas Intel, divulgada neste mês de março, mostrou que o PT é o partido mais querido do eleitorado brasileiro, com 34,6% da preferência. Os demais partidos somados estão quase dez pontos percentuais atrás do PT. A ESQUERDA TEM NOMES E PROJETO DE GOVERNO NA CIDADE. 

O prefeito pensava que tudo na vida da cidade se resolveria soterrando as críticas com milhares de postagens nas redes sociais, impulsionadas pela megaestrutura de comunicação que ele montou nas redes. Mas nessa nova conjuntura em que boa parte do eleitorado está exigindo definição cada vez mais clara e firme dos candidatos, está com grandes dificuldades de definir a sua identidade política, ideológica e programática para lidar com essa nova situação porque lhe falta conteúdo, falta substância e formação política para isso. 

Por isso, essas mudanças de rumo apressadas, de um lado para outro, em tão pouco tempo. 

O candidato à reeleição perdeu o prumo desde que veio a público a fragilidade de sua liderança no seu partido, o "Podemos”. 

Com sua liderança ameaçada nesse partido deu outro passo em falso e foi se articular com os partidos de extrema direita e conservadores, mostrando a sua verdadeira posição ideológica, mas novamente a fragilidade de sua liderança veio a público, quando “o outro candidato a prefeito” que deixou o Podemos por causa da disputa interna com o prefeito o escanteou e assumiu a liderança naquele território político conservador que ele pensava dominar. Depois mudou mais uma vez de rumo e se virou apressadamente para a esquerda, mas de tão atordoado que está nesta tentativa de cooptar qualquer um que lhe dê uma tintura midiática de esquerda acabou escolhendo um militante que não é de Vila Velha e sim um quadro tradicional da política da Serra.

O aturdimento político se revela na sua atitude mais recente, como a de criar o Dia do Homem exatamente no Dia da Mulher. Cometendo uma gafe que viralizou e virou piada nacional nas Redes Sociais (justamente no meio de comunicação responsável pela ascensão de sua carreira política e onde era considerado um craque). Aproveito essa oportunidade deste dialogo com essa editoria que tradicionalmente sempre garantiu a expressão dos contraditório e a pluralidade de opinião de todas as forças do espectro político capixaba para reafirmar que a Esquerda de Vila Vela está em intenso movimento de mobilização de suas bases para apresentar uma alternativa de poder para a cidade. 

Apresentaremos um candidato competitivo e um projeto inovador para realizar de verdade o “salto tecnológico” na gestão pública e no desenvolvimento da cidade como prometido pelo prefeito nas eleições passadas e não cumprido. Vamos implantar o “governo digital com participação popular”, implantar a cidade inteligente, onde a economia ganhe produtividade gerando prosperidade e empregos qualificados com salários altos e os serviços públicos funcionem com eficiência dentro de padrões técnicos e sem politicagem. 

Acreditamos que dotando a cidade com uma revolução digital de uma cidade inteligente e sustentável, Vila Velha se apresentará com serviços públicos altamente eficientes, com resultados de alta qualidade para população. 

CLAUDIO VEREZA
Ex-presidente da Assembleia Legislativa do ES

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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