No terceiro mandato à frente da Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou contatos diplomáticos diretos com outros países e reaproximou o Palácio do Planalto dos governadores, que viraram bode expiatório na gestão do antecessor, Jair Bolsonaro (PL). Isso é, até certo ponto, louvável, mas tem um custo e resultados questionáveis.
O petista ficou poucas horas em solo capixaba, na ocasião. A viagem custou R$ 169.073,86 aos cofres públicos, considerando não apenas a despesa com o deslocamento do próprio Lula, mas de assessores, servidores, seguranças, enfim, do staff necessário para garantir a organização e a segurança da participação do presidente da República no evento.
A Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso a informações públicas, em pedido, via LAI, a respeito das viagens presidenciais entre janeiro de 2023 e 5 de abril deste ano, entretanto, recebeu uma planilha com as respostas.
No caso da passagem de Lula e equipe pela Serra, dos quase R$ 170 mil, R$ 68.742,96 representam despesas com uso de veículos para deslocamento e R$ 38.440,70 foram gastos com passagens aéreas.
O uso do cartão corporativo acrescentou R$ 31.550,40 às cifras. Ele é usado para compras imediatas, como para arcar com alimentação e hospedagem do presidente e de servidores que viajam com ele.
Por fim, R$ 30.339,80 foram gastos para pagar diárias para a equipe.
Quando um presidente da República viaja, parte do staff chega antes dele. Assim, embora a visita de Lula tenha durado poucas horas no dia 15 de dezembro de 2023, a viagem começou, na verdade, no dia 13.
Por que a coluna publica esses dados? Há indícios de gastos irregulares? Até agora, não. Mas é uma questão de transparência com a aplicação do dinheiro público que vem, obviamente, de nós mesmos, colunista e leitores.
O governo Bolsonaro colocou sob sigilo os gastos com cartão corporativo usado nas viagens do então presidente. O valor pago com o cartão no Espírito Santo somente veio à tona depois que o político do PL saiu do poder.