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Direto do túnel do tempo

Weverson e Audifax: as semelhanças e diferenças entre dois pupilos de Vidigal

Audifax e Vidigal são arquirrivais na política serrana, mas em 2004 Audifax foi uma espécie de Weverson. Era unha e carne com o experiente político pedetista

Publicado em 29 de Outubro de 2024 às 03:15

Públicado em 

29 out 2024 às 03:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Audifax Barcelos e Sérgio Vidigal. Weverson e Vidigal
Audifax Barcelos e Sérgio Vidigal, em 2004. Weverson Meireles e Vidigal em 2024 Crédito: Edson Chagas/Arquivo e Samuel Chahoud/Divulgação
Um ex-secretário municipal que nunca havia disputado uma eleição até então. Os eleitores mal o conheciam, mas ele encarou a disputa pela Prefeitura da Serra, inicialmente, patinando nas pesquisas de intenção de voto. Graças ao apoio do prefeito Sérgio Vidigal (PDT), cresceu na corrida e, por fim, foi eleito prefeito da cidade.
Estou falando, claro, de Audifax Barcelos... em 2004.
Weverson Meireles, que saiu vitorioso das urnas no último domingo (27), não é o primeiro pupilo que Vidigal consegue emplacar no comando do Executivo municipal. É o segundo, em 20 anos.
Audifax e Weverson são pessoas diferentes e disputaram as respectivas eleições em contextos diversos, mas também têm semelhanças.
Os dois conquistaram a prefeitura filiados ao PDT, conseguiram espaço para concorrer graças à intervenção de Vidigal, prefeito da Serra e manda-chuva do partido. As campanhas dois dois foram muito atreladas à imagem do padrinho político.
"No dia do pleito, eram vários os eleitores que abordavam Vidigal nas ruas e nem sequer conheciam Audifax", registrou o jornal A Gazeta no dia 4 de outubro de 2004.
Weverson, em 2024, era chamado de "Everson", "Everton", ou até de "filho do Vidigal".
Audifax, em debate realizado pela Rádio CBN Vitória, em 2004, "parecia um pouco artificial, como se estivesse no programa eleitoral oficial", diz uma edição de A Gazeta de setembro daquele ano.
O prefeito eleito da Serra, por sua vez, nos debates de 2024, foi até apelidado de "robozinho" pelo adversário Pablo Muribeca (Republicanos).
Weverson, assim como o Audifax de 2004, participou de debates eleitorais pela primeira vez, logo numa eleição decisiva para o grupo político ao qual pertenciam. Mas, no fim das contas, saíram-se bem.
Após o resultado das urnas de 20 anos atrás, Sérgio Vidigal foi saudado como "fenômeno na capacidade de transferir votos" e Audifax, alçado de "desconhecido a campeão de votos".
O mesmo se poderia dizer do prefeito e de Weverson hoje.
Mas, agora, observemos as diferenças.
Em 2004, Audifax tinha 40 anos e Vidigal, 47. Padrinho e pupilo eram, portanto, da mesma geração. O então prefeito estava no segundo mandato consecutivo à frente do município e, por isso, não podia tentar a reeleição.
Teve que escolher um sucessor para apoiar. O então deputado federal Carlos Manato, na época filiado ao PDT, chegou a ser uma possibilidade, mas Vidigal resolveu arriscar ao apontar para inexperiente (nas urnas) Audifax.
O escolhido havia sido secretário de pastas robustas na prefeitura, Finanças e Educação.
Página de A Gazeta em 04/10/2004
Página de A Gazeta em 04/10/2004 Crédito: Reprodução/A Gazeta
Corta para 2024. Vidigal, no quarto mandato como prefeito da Serra, poderia tentar a reeleição, mas decidiu ousar, de novo. Desta vez, de forma mais radical do que em 2004, pois tinha a opção de encarar ele mesmo as urnas, em vez de "terceirizar" a tarefa.
O prefeito, entretanto, alegou motivos familiares, o estado de saúde da esposa, a ex-deputada federal Sueli Vidigal, para participar apenas indiretamente do pleito.
E ungiu Weverson como o escolhido. Vidigal tem 67 anos e o jovem pedetista, 33.
A passagem de bastão, portanto, é para uma nova geração, ao contrário do que houve 20 anos atrás.
Weverson também foi secretário municipal sob a gestão do padrinho, mas ocupou a pasta de Governo e a chefia de gabinete do prefeito, cargos de menor visibilidade que os exercidos por Audifax antes do pleito de 2004.
Outra diferença: além de Vidigal, o prefeito eleito da Serra contou, em 2024, com outro apoio de peso, o do governador Renato Casagrande (PSB).
Audifax, quando debutou nas urnas, foi ignorado pelo então governador, Paulo Hartung (na época, filiado ao PSB).
Embora o partido do governador estivesse na coligação de Audifax, Hartung apareceu até em outdoors ao lado de outro candidato a prefeito da Serra, João Miguel Feu Rosa (PP) — naquela época, outdoors eram permitidos como peça de propaganda eleitoral.
O RESULTADO
Em 2004, Audifax foi eleito prefeito da Serra ainda no primeiro turno com 68% dos votos.
Vinte anos depois, o novo pupilo de Vidigal, Weverson, foi o mais votado no primeiro turno, mas teve que encarar mais uma etapa na competição. Recebeu 60% dos votos no segundo turno.
A Serra não tinha e não tem horário eleitoral na TV, por não ser sede de nenhuma emissora de televisão. Assim, tornar um desconhecido conhecido do eleitorado é uma missão mais difícil do que seria em uma cidade como Vitória.
O feito de Audifax, Weverson, de Vidigal e da máquina da prefeitura da Serra, nas duas ocasiões, é notável.
O ROMPIMENTO
A aliança entre Audifax e Vidigal durou até 2008, a primeira eleição municipal após a conquista de 2004.
O pupilo poderia, pelas regras eleitorais, disputar a reeleição. Ele seguia como filiado ao PDT e, para tentar mais um mandato, precisava que o partido lhe desse o aval.
Mas Vidigal, que seguia como presidente estadual da sigla, barrou a iniciativa. O PDT lançou o então ex-prefeito como candidato e limou Audifax.
O pedetista sênior venceu aquele pleito e, a partir de então, Audifax e Vidigal tornaram-se arquirrivais. Em 2012, a criatura superou o criador. Audifax foi eleito prefeito, impôs uma derrota a Vidigal, e repetiu a dose em 2016.
Durante quase 28 anos — de 1997 a 2024 — os dois foram os únicos prefeitos que a Serra conheceu.
Quis o destino, e os eleitores da Serra, que fosse Weverson a encerrar esse revezamento. Audifax disputou as eleições de 2024, mas não passou para o segundo turno.
E AGORA?
Em 2004, logo após Audifax ser eleito, Vidigal afirmou, em entrevista, que voltaria a atuar como médico e descartou disputar as eleições de 2006: “Sou médico da Prefeitura da Serra. Agora, o Audifax será o meu patrão”.
Não demorou, porém, para pendurar o estetoscópio (não no pescoço) e voltar à política. Em 2006, vejam só, ele foi candidato ao governo do Espírito Santo e perdeu para Paulo Hartung (então filiado ao PMDB).
Em 2024, durante a campanha eleitoral, enquanto pedia votos para Weverson, Vidigal disse pretender se dedicar à família e voltar a praticar medicina.
Weverson, enquanto comemorava o resultado do segundo turno, reafirmou que vai ter o atual prefeito como um "conselheiro" informal da gestão.
Vidigal, por sua vez, disse à reportagem de A Gazeta, na segunda-feira (28), que não terá nenhum papel na gestão do pupilo.
Não posso adivinhar o que Vidigal, realmente, vai fazer, posso apenas especular.
As coisas são diferentes do que eram em 2004.
Em 2026, Casagrande, aliado dos pedetistas, não vai tentar a reeleição, pois está no segundo mandato consecutivo.
Vidigal poderia entrar na corrida pelo Palácio Anchieta após sair fortalecido das urnas este ano? Poder ele até poderia, mas não creio que vá fazer isso.
A força do atual prefeito e do PDT reverbera na Serra, reduto histórico de Vidigal e do PDT, mas fora do município reduz drasticamente.
Além disso, acredito que a decisão de Vidigal de não disputar pessoalmente a prefeitura em 2024 deu-se não apenas por questões pessoais e familiares e sim por uma acertada avaliação de que os eleitores gostariam de renovação, ainda que a "renovação segura" pregada por Weverson.
Outros nomes mais jovens que Vidigal saíram "com moral" das urnas em 2024, como os prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), e de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
O experiente pedetista, portanto, teria que fazer uma análise oposta a que elaborou este ano para embarcar na corrida pelo governo estadual.
Nada o impede, entretanto, de ser candidato a deputado federal ou a senador, principalmente se contar com o apoio do grupo de Casagrande. Só não sei se Vidigal gostaria de ir para Brasília. Isso seria contraditório com o discurso sobre a necessidade de cuidar da esposa e da família.
De qualquer forma, Vidigal deve ser um forte cabo eleitoral na Serra em 2026, se a gestão Weverson estiver bem avaliada.
Weverson Meirelles (PDT) comemora com apoiadores
Weverson Meirelles (PDT) comemora com apoiadores o resultado do segundo turno na Serra Crédito: Vitor Jubini
Aposto que os leitores ficaram pensando: "Hummm. Será que a próxima eleição municipal, em 2028, vai levar ao rompimento entre Vidigal e Weverson tal qual o pleito de 2008 fez com Vidigal e Audifax?".
Aí não é possível nem especular, minha gente. São quatro anos no futuro. E não há base alguma para se plantar a discórdia numa hora destas.
Vidigal estará com 71 anos. Vai querer voltar a ser prefeito?. A gestão de Weverson vai estar bem avaliada? O pupilo vai continuar no PDT e pagar para ver se o partido vai lhe dar legenda para tentar a reeleição?
São muitas camadas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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