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Presidência da República

Zema diz que vai ficar no Novo e "apoiar bom nome de direita" em 2026

Governador de MG esteve em Vitória nesta quinta (27) e respondeu a questionamentos da coluna. Ele é um dos possíveis candidatos à Presidência da República no próximo pleito, mas afirma preferir apoiar alguém a se lançar na disputa. Será mesmo?

Publicado em 28 de Julho de 2023 às 10:42

Públicado em 

28 jul 2023 às 10:42
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participa de evento em comemoração aos 65 anos da Findes
Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participa de evento em comemoração aos 65 anos da Findes Crédito: Ricardo Medeiros
Em 2026, Romeu Zema (Novo) vai encerrar o segundo mandato consecutivo como governador de Minas Gerais. Impossibilitado de tentar mais uma reeleição, lançar-se à Presidência da República seria algo natural, ao menos é o que avaliam os correligionários do mineiro. 
Em encontro com filiados ao Novo em Vitória, na quinta-feira (27), Zema foi chamado diversas vezes de "nosso futuro presidente". Após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), ele é uma das apostas para ocupar o vácuo na direita. 
Questionado pela coluna logo após o evento, o governador reafirmou que prefere apoiar alguém a ser apoiado em 2026, mas evitou citar quem seria essa pessoa:
"Vou apoiar qualquer bom nome que a direita lançar. O que eu não acredito é neste projeto do governo federal. Quem estiver em condições de ter um bom projeto para o Brasil eu darei o meu apoio, da mesma maneira que dei, no ano passado para o então presidente, que pleiteou a reeleição".
Zema diz que vai ficar no Novo e apoiar bom nome de direita em 2026
Outra aposta dos órfãos de Bolsonaro para o Palácio do Planalto é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Este, contudo, está no primeiro mandato, logo, poderia tentar a recondução ao cargo.
Apesar de ter sinalizado a preferência por não disputar em 2026, Zema deixou claro, nas entrelinhas, que não é algo que ele recusaria. 
"Meu foco é fazer um bom trabalho em Minas Gerais. Não tenho nenhuma pretensão política maior. Há cinco anos, eu não tinha nenhuma pretensão de ser governador de Minas. Quero ser lembrado como um bom governador", destacou.
Se não tinha pretensão de ser governador e se candidatou ao posto, por que não concorreria à Presidência da República mesmo sem ter pretensão? 
Ao sair pela tangente, Zema evita ataques de possíveis adversários e até fogo amigo bolsonarista.
Tarcísio, por exemplo, virou alvo após ganhar destaque ao defender a Reforma Tributária apoiada pelo governo Lula (PT), uma pauta que o governador de Minas Gerais também endossa, mas com menos estardalhaço.
Paralelamente, Zema critica o governo federal continuamente, mesmo sem ser questionado ou instado a fazê-lo, marcando posição. 
Ser candidato à Presidência da República pelo Novo não parece uma boa estratégia. O partido tem pouco tempo de TV e Rádio e uma bancada pequena na Câmara dos Deputados.
Em 2022, o Novo apostou em Felipe D'Avila, que participou de debates e virou meme com a frase "que tistreza", embora tenha feito outras contribuições.
De lá pra cá, o partido promoveu algumas alterações. Autorizou, por exemplo, o uso de recursos do fundo partidário, irrigado por dinheiro público, o que rejeitava até então. 
Ao falar à plateia presente no auditório da Fucape Busness School, em Vitória, formada por filiados à legenda, Zema garantiu que não vai sair do partido e que qualquer informação em contrário que for veiculada na imprensa não é verdadeira. 
Mas deixou uma brecha: "Se isso, que não vai acontecer, acontecer, eu vou informar primeiro ao partido, não à imprensa".
Romeu Zema fala a filiados ao Novo em Vitória
Romeu Zema fala a filiados ao Novo em Vitória Crédito: Letícia Gonçalves
A promessa dos integrantes do Novo no Espírito Santo é que o partido vai sair mais forte das urnas em 2024, quando vão estar em jogo os cargos de prefeito e vereador.
O Novo é uma legenda de direita, que passou os últimos anos atrelada ao bolsonarismo, embora rejeite a pecha. O presidente estadual da sigla, Iuri Aguiar, já disse à coluna que a agremiação apenas apoiava as políticas que considerava boas para o país.
Por se apresentar como liberal, uma doutrina política e econômica que prega o mínimo necessário de intervenção estatal, porém, soa estranho estar ao lado de quem defende loteamento de cargos públicos por militares sem experiência nas áreas em que foram alocados e de um presidente que ataca direitos individuais, como os de se relacionar afetiva e sexualmente com quem quiser.
Isso sem falar no sistema eleitoral, pelo qual o próprio Zema foi eleito, posto em xeque por Bolsonaro, e os achaques à imprensa e às instituições democráticas.
O governador de Minas tenta se distanciar do político de extrema direita nesses quesitos. "Política envolve, principalmente, relacionamento, ouvir os outros, saber que ninguém é dono da verdade", discursou, na Fucape.
Horas antes, ele participou do evento de comemoração dos 65 anos da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), ao lado do governador Renato Casagrande (PSB), que o chamou de amigo, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).
GAFES
Zema, por outro lado, tem sido prolífico em protagonizar gafes. No Espírito Santo, que a coluna tenha presenciado, não houve nenhuma.
Recentemente, ele foi criticado por afirmar que nas regiões Sul e Sudeste há mais pessoas trabalhando do que "vivendo de auxílio emergencial" e, por isso, "podem contribuir para este país dar certo".
Nem há mais pagamento de auxílio emergencial e os que recebem Bolsa Família não têm empregos formais, com carteira assinada, mas não quer dizer que não trabalhem. O Norte e o Nordeste também podem contribuir para o Brasil "dar certo". Assim, a declaração foi preconceituosa.
Zema, depois, disse que foi mal interpretado e pediu desculpas.
Ele também já mostrou desconhecer a escritora mineira Adélia Prado, que pensou ser alguém que trabalha numa rádio, e posta frases em redes sociais que apenas o complicam. 
No domingo (9), publicou uma atribuída a James Madison, 4º presidente dos Estados Unidos: “Democracia é o direito das pessoas escolherem o próprio tirano”.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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