Com a pandemia do coronavírus, a principal intervenção não-farmacológica foi o distanciamento social, com o objetivo de diminuir os infectados em um dado período de tempo para não sobrecarregar o sistema de saúde.
Além disso, o fator de aversão ao risco teve como consequência indivíduos preferirem ficar em casa, resultando na retração da atividade econômica, com perda de salários e produção, bem como da receita dos governos.
Apesar de a crise ter afetado o Espírito Santo, os impactos sentidos no primeiro trimestre foram menores do que o resto do Brasil. O Panorama Econômico, apresentado pelo Instituto Jones dos Santos Neves, apontou desempenho do Estado com 1,2% de queda da atividade econômica, melhor do que a média brasileira, que caiu 1,5% em relação ao trimestre anterior.
No Espírito Santo, a demanda por produtos e serviços não essenciais caiu, assim como por combustíveis. Além disso, o período foi marcado por oscilações nos preços das principais commodities do Estado, como petróleo, minério de ferro, celulose e café. Aqui está uma análise em relação a cada setor da economia capixaba.
Agricultura
No primeiro trimestre de 2020, as exportações do agronegócio capixaba representam um quinto entre tudo que é exportado. A queda foi de 4,4% em relação ao final de 2019, ao contrário do restante do país, em que, no geral, o setor foi o único que apresentou crescimento: 0,6%.
O café é produzido em todos os municípios capixabas, correspondendo a quase metade da produção do Estado. O café conilon fechou 2019 com um aumento de 8,1% de produção em relação ao ano anterior. Porém, a expectativa para 2020 é de uma retração de 6,4% no volume. Nesse sentido, foi o produto que puxou a média do Estado para baixo.
Assim, o resultado positivo brasileiro foi impulsionado pela soja, que, inclusive, apresenta perspectivas de recorde para este ano. Este cenário deve-se ao fato de que, para manter a população abastecida, a agropecuária praticamente não parou.
Indústria
Desde a suspensão das atividades da Samarco, em 2015, a indústria capixaba vem apresentando desempenho aquém do nacional. Houve queda nos últimos nove trimestres.
No primeiro trimestre de 2020, a produção industrial do Estado caiu 17,2%. Já em termos nacionais, esse dado ficou em 1%. Os principais fatores foram os resultados da indústria extrativa (-25,5%) e da fabricação de celulose e produtos de papel (-32,2%). No cenário geral brasileiro, as quedas foram de 5,8% e 2,2%, respectivamente.
Entretanto, o setor de fabricação de produtos alimentícios no Estado registrou crescimento de 5,7%, ante 1,3% no restante do país.
Comércio e Serviços
Ao contrário do panorama brasileiro, que recuou 1%, o primeiro trimestre de 2020 foi positivo para o comércio varejista capixaba, com expansão de 4,8% do volume de vendas no acumulado em quatro trimestres.
Enquanto isso, o setor de serviços foi o mais afetado pelas medidas de isolamento social. Porém, enquanto o Estado apresentou queda de 10,7% em relação ao 1º trimestre de 2019, o país registrou -1,6%.
Comércio exterior
Neste setor, a economia do ES no primeiro trimestre de 2020 teve queda de 19,31% em relação ao final do ano passado, causada principalmente pela redução das importações.
Contudo, em relação aos outros países do G20, o Brasil foi o único país a vender mais neste período, de acordo com a OCDE. O país teve melhor desempenho tanto em exportações quanto em importações.
Mercado de trabalho
Estimada em 11,1%, a taxa de desemprego no Espírito Santo manteve-se estável em relação ao 1º trimestre de 2019. Por outro lado, o país registrou queda de 0,5% no mesmo período, com 12,2%.
Ainda segundo a pesquisa, até o momento 49% das companhias não adotaram a redução de quadro de funcionários e 60% recusaram a suspensão de contratos permitida pela MP 936.
O número de requerentes de seguro-desemprego no Espírito Santo aumentou quase 3% em relação ao mesmo período de 2019.
PIB: como vai a economia do Espírito Santo no primeiro trimestre
As oscilações dos preços das principais commodities e do dólar e a guerra comercial entre Estados Unidos e China provocaram um quadro macroeconômico instável no Brasil. Apesar de a economia capixaba ter estrita relação com ambos os países, as exportações, inclusive, aumentaram ao longo de 2019.
No entanto, este setor não foi capaz de impedir a queda do PIB do Estado, cujo índice registrado foi de -1,7% em relação ao 1º trimestre de 2019: cerca de R$ 29 bilhões a menos. O resultado ficou abaixo do nacional, de -0,3%, com tendência a piorar no segundo trimestre.