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Economia

Uma análise completa da competitividade do ES

Há diversos pontos a se melhorar, e as instituições capixabas devem – com coordenação – aprimorar suas políticas com o setor público e o setor privado

Publicado em 01 de Outubro de 2020 às 16:18

Públicado em 

01 out 2020 às 16:18
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

luansperandio@gmail.com

O Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) lançou um programa para avaliar a periculosidade das rodovias brasileiras e reduzir o risco de acidentes.
Infraestrutura é um dos pontos avaliados Crédito: Governo do Estada de São Paulo/Divulgação
Espírito Santo é o quinto ente federativo mais competitivo do país segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, do Centro de Liderança Pública (CLP). De forma ordinária, quanto mais competitivo, maior a atração de investimentos, de empresas e dos melhores trabalhadores, gerando maior desenvolvimento socioeconômico e prosperidade.
Desse modo, o estudo é útil para indicar o que deve ser aprimorado no que tange ao funcionamento dos entes em questão. Ele também auxilia em decisões do setor privado de investimentos produtivos, com critérios de atratividade a partir de parâmetros e comparações entre os Estados, buscando afinidade e conexão com cada projeto de investimento em potencial.
O ES pontuou 60,4 pontos, atrás de São Paulo (que lidera com 89,1 pontos), Santa Catarina (76,6) e Distrito Federal (73,6) é e Paraná (60,4).
São analisados 68 indicadores distribuídos em 10 pilares temáticos. Abaixo, um resumo da situação do Estado em cada um deles.

SOLIDEZ FISCAL

A solidez fiscal de qualquer governo é condição para o crescimento sustentável. Sem ela, serviços públicos essenciais podem ser ameaçados, além de diminuir o grau de investimento da região, o que significa que o crédito fica menos acessível para as empresas.
Isso resulta na queda na produção de produtos e serviços, além de um cenário de aumento da inflação e do desemprego.
Nessa questão, o Espírito Santo teve seu melhor número: a nota máxima de 100 pontos.

EFICIÊNCIA DA MÁQUINA PÚBLICA

O Brasil apresenta o pior retorno em impostos para a população de acordo com o IBPT comparado a todos os países que integram a OCDE. A ineficiência da burocracia pública é um dos fatores que diminui a produtividade da economia ao mitiga a construção de um ambiente de negócios salutar.
Nesse quesito, o ES apareceu na 3ª colocação entre os entes federativos, com 95,3 pontos. O único fator que obteve queda na avaliação foi referente ao custo do Judiciário capixaba: trata-se de um dos mais caros do país segundo o CNJ e, em contraste, apresentou a pior produtividade do país em 2020.

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

O estudo do CLP avaliou as emissões de CO2, os serviços urbanos, a destinação de lixo, o tratamento de esgoto e a perda de água. O ES subiu posições neste indicador e ficou na 4ª colocação, com 78,4 pontos.
Vale lembrar que metade da população capixaba ainda vive sem saneamento básico, e o esgoto tratado chega a apenas 25% das casas. Além disso, 40% da água tratada do Estado é desperdiçada, e, na Grande Vitória, menos de 5% do lixo recolhido é reciclado. Um cenário que o mercado de capitais deve protagonizar a partir de um cenário de juros baixos e com o Novo Marco do Saneamento.

SUSTENTABILIDADE SOCIAL

Competitividade significa um Estado capaz de maximizar o bem-estar social de seus habitantes. A partir disso, eles se inserem no mercado de trabalho, potencializando as taxas de crescimento e reforçando o tamanho do mercado consumidor.
O ES tem diversos pontos a se melhorar, como a inadequação de moradia, a desigualdade de renda, a inserção econômica dos jovens e a mortalidade materna. O desemprego aparece como um dos principais geradores dos problemas apresentados. No estado, a taxa de pessoas sem trabalho é de 12,3%, havendo ainda mais de 825 mil pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.
A partir da análise de todos esses pontos, o Espírito Santo ficou com nota 70,9, na 8ª posição.

POTENCIAL DE MERCADO

Neste pilar, foi considerada a taxa de crescimento do Estado, assim como o tamanho do mercado e o potencial da força de trabalho, todos fatores que influenciam na decisão de investimento das empresas.
O ES obteve uma grande queda nesse quesito, ficando 11 posições abaixo do ano anterior no que tange à taxa de crescimento do potencial de mercado. Na avaliação geral, o Estado figura na 23ª colocação, com apenas 6,7 pontos.

CAPITAL HUMANO

Reconhecidamente, o baixo nível de qualificação da mão de obra é uma das principais barreiras ao desenvolvimento econômico e social do país e está relacionado diretamente aos índices educacionais do país.
O ES figurou apenas 30,5 pontos, ficando na 14ª colocação. Como fatores de piora, estão o custo de mão de obra e a produtividade do trabalho, que caiu.

INOVAÇÃO

O ambiente ideal para o surgimento de inovações tem como fatores primordiais as ações de fomento à pesquisa e desenvolvimento (P&D), integrando setor privado, academia, institutos de pesquisa e o setor público.
Em um cenário de juros baixos, o venture capital se torna mais atrativo, o que pode incentivar o crescimento de diversas startups, ampliando a inovação e produtividade.
Uma das maiores quedas entre os fatores analisados pelo ranking está relacionada às patentes, que precisam de políticas melhores. No geral, a nota do Estado foi de 42,4, na 13ª colocação.

INFRAESTRUTURA

O ES aparece bem quando comparado ao nível nacional, ficando em 5º lugar, mas apresenta uma pontuação que indica haver muito a se melhorar: 58,5 pontos.
O levantamento apontou a necessidade de melhora na qualidade de rodovias, mobilidade urbana, qualidade e custo de serviços de telecomunicações, energia, saneamento, voos e combustíveis.

EDUCAÇÃO

O ES figurou na 7ª colocação com 59,9 pontos, mas registrou pioras na taxa de frequência líquida do ensino fundamental, assim como na taxa de atendimento do ensino infantil. Essas fases do ensino merecem mais atenção por parte do poder público, uma vez que são bases essenciais para o desenvolvimento dos indivíduos e da formação das próximas gerações.
Vale lembrar que o ES lidera desde 2017 o Ideb no Ensino Médio, mas ainda há muitas reformas necessárias no setor.

SEGURANÇA PÚBLICA

Segurança pública é requisito para um bom ambiente de negócios. E, nesse quesito, o ES apresentou uma das maiores quedas do país em relação a 2019 nesse quesito, caindo cinco posições e ficando na 15ª posição.
Entre os quesitos com piora, estão o aumento das prisões sem condenação, o déficit carcerário, as mortes a esclarecer, a segurança pessoal e a segurança patrimonial.

CONCLUSÃO

O estudo evidenciou melhora na competitividade do ES, um dos Estados com melhor ambiente de negócios do país. Se, por um lado, há diversos pontos a se melhorar, as instituições capixabas devem – com coordenação – aprimorar suas políticas com o setor público e o setor privado, prezando por mais eficiência.
Do outro, o cenário de juros no menor patamar histórico deve atrair o mercado de capitais para investir em diversos projetos, especialmente infraestrutura, que contribuam para tornar o ES ainda mais competitivo — uma oportunidade única que não podemos desperdiçar.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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