Ao escrever sobre a minha cidade, além de procurar trazer à tona temas relevantes, confesso também exercer uma atribuição prazerosa. Há sempre muita coisa a dizer. Não só pelo fato de ser uma das mais belas capitais do país, mas também por ser uma das melhores cidades para se viver.
Dito isso, com os olhos voltados para possíveis melhorias urbanas da nossa Capital, tenho procurado apontar problemas e apresentar propostas sobre mobilidade, valorização dos espaços urbanos, turismo e outras relevantes questões relativas à cidade.
Assim, ao ver as autoridades reconhecendo a necessidade de revitalização do Centro de Vitória, faz-se oportuno lembrar que muito em breve teremos o retorno do transporte aquaviário na baía de Vitória, um modal que, na década de 1970, chegou a transportar cinco milhões de passageiros por ano.
Diante desse avanço em prol da mobilidade é importante, contudo, que as autoridades promovam estudos mais abrangentes acerca das necessidades e das implicações pertinentes à operação desse novo modal. Dentre elas, medidas visando às adequações urbanas necessárias para atender satisfatoriamente ao seu funcionamento, como também aquelas voltadas para o aproveitamento dos benefícios que essa nova opção de locomoção poderá trazer para a Capital e para os municípios litorâneos beneficiados.
Como perseverante defensor do transporte aquaviário (vários artigos publicados neste espaço), com base nas minhas pesquisas, avaliações e utilização deste meio de transporte em muitas cidades litorâneas no exterior, venho sugerir que o mesmo, mais do que uma nova opção de transporte de passageiros, possa também trazer benefícios turísticos para a região metropolitana da Capital.
Neste sentido, além da integração desse modal ao Transcol, várias outras medidas precisam ser estudadas, tais como: 1) criação de locais para embarque e desembarque de usuários dos aplicativos de locomoção, táxis e vans; 2) sinalização adequada para acesso a atrações turísticas como o Convento da Penha, igrejas da Cidade Alta e outras; 3) previsão para instalação de lojas autônomas ou boxes de conveniência junto aos terminais; 4) quando possível, estacionamento grátis próximo aos terminais; 5) integração do aquaviário ao plano de revitalização do centro da Capital; 6) avaliação da viabilidade de realização de passeios turísticos nos fins de semana, etc.
Que os municípios beneficiados não fiquem a esperar o aquaviário entrar em funcionamento para tratar das medidas acima citadas.