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Economia

Aquecimento do mercado imobiliário é reflexo da salutar redução dos juros

Além do emprego, a indústria imobiliária, pelo fato de demandar uma infinidade de insumos envolvendo uma extensa cadeia produtiva, tem peso relevante no processo de reativação da economia

Publicado em 06 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 out 2020 às 05:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

luizcarlos@metronengenharia.com.br

12/12/2019 - Vitória - ES - Mercado imobiliário - Vista aérea de prédios de Vitória - Enseada do Suá
Muitos capixabas enxergaram o imóvel como a alternativa mais adequada de investimento Crédito: Luciney Araújo
No ano passado, quando o Banco Central sinalizou a mudança na política de juros, dando início ao processo de redução progressiva da taxa Selic, escrevi para este jornal comentando esta mudança (artigo publicado em 1º de outubro).
Por se tratar da ruptura de um velho paradigma, haja vista que o Brasil sempre praticou taxas de juros altíssimas, discorri sobre os efeitos positivos dessa mudança para a economia e ressaltei os benefícios para a indústria imobiliária.
Transcorrido um ano, achei oportuno voltar ao tema. E, ante a confirmação das minhas expectativas, recorro a uma expressão bem informal: “não deu outra”! Mesmo o Brasil enfrentando a maior crise econômica e social da sua história, o mercado imobiliário reagiu vigorosamente.
Hoje, podemos dizer que este importante setor da economia – altamente gerador de empregos (diretos e indiretos) – está retomando o seu ritmo normal. E como se sabe, além do emprego, a indústria imobiliária, pelo fato de demandar uma infinidade de insumos envolvendo uma extensa cadeia produtiva, tem peso relevante no processo de reativação da economia.
Muito fácil entender as razões da reativação do mercado imobiliário. Quando o poupador brasileiro, acostumado a receber altas taxas de juros nas suas aplicações financeiras, constatou que seu rendimento ficou próximo de zero (ou até mesmo negativo), não se dispôs a correr os riscos de redirecionar suas reservas para aplicações mais arrojadas e enxergou o imóvel como a alternativa mais adequada de investimento. E a consequência natural foi um substancial aumento da procura por imóveis.
Segundo análise do mercado (Apex Partners), realizada entre os meses de abril e agosto deste ano, as vendas de imóveis na Grande Vitória tiveram um aumento de mais de 600%. Esta rápida e vigorosa reação do mercado decorre basicamente de duas razões: (1) prestações do financiamento de imóveis mais próximas do aluguel, o que aumentou o interesse de compra para moradia (custo final também menor); (2) por atrair os investidores acima citados, insatisfeitos com as aplicações financeiras, que preferiram investir no imóvel visando à renda de locação ou outra destinação.
Com efeito, num país que sempre praticou taxas de juros entre as mais altas do mundo, esta mudança por parte do Bacen significa um choque na especulação financeira e o incentivo ao investimento produtivo – em prol da reativação da economia.
Provavelmente, o tempo deverá comprovar o acerto desta nova política de juros do Banco Central.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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