A despeito do grande estrago causado pelo coronavírus na nossa economia, já se admite a possibilidade de a crise ser menos duradoura do que tem vaticinado os pessimistas de plantão.
Mesmo pairando ainda muitas incertezas, inclusive quanto a chegada e distribuição da vacina, vimos nos últimos dois meses importantes indicadores da atividade econômica mostrarem desempenho positivo.
A considerável recuperação da Bovespa – um dos principais termômetros da economia –, os seguidos superávits registrados na balança comercial (o agronegócio respondendo por mais de 50%) e a progressiva reativação dos setores automotivo e imobiliário sinalizam isso.
Todavia, como além do socorro emergencial aos mais pobres e às pequenas empresas não vimos nenhuma relevante medida institucional em favor da retomada da economia, tudo indica que estes movimentos positivos de alguns mercados decorrem de uma reação natural ao represamento das atividades econômicas imposto pelo isolamento social.
Esta reação positiva de alguns setores, mesmo representando pouco perante à magnitude da crise, é mais uma evidente comprovação de que o Brasil dispõe de um imenso potencial para a retomada do crescimento – bem acima da maioria dos outros países.
O grande desafio, no entanto, consiste na superação dos velhos e conhecidos obstáculos políticos e institucionais que sempre impediram que o país avançasse.
Seria possível superá-los? Nada fácil, mas diante dos 13 milhões de desempregados, das 700 mil empresas que fecharam as portas, dos trabalhadores informais sem ter como tirar seu sustento e de tantos outros sofrimentos decorrentes da pandemia, é chegada a hora de uma grande mobilização nacional para dar um novo rumo para Brasil.
O caminho, embora tortuoso, pode ser percorrido desde que haja conscientização das lideranças políticas de que a gravidade da situação tornou imperiosa a necessidade de modernização institucional do país. Passa pelo arrefecimento dos ânimos e pela busca de um grande entendimento entre os poderes da República em prol das reformas estruturantes – essenciais para alavancar o crescimento econômico do país.
Se o Congresso Nacional tomar este rumo, pode-se antever uma ampla e rápida resposta por parte do setor produtivo. Em pouco tempo o empresariado nacional e os investidores externos voltarão a apostar no Brasil.
Que este grave período da vida nacional seja o catalisador do entendimento político que o Brasil tanto precisa para alavancar seu desenvolvimento econômico e social.