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Infraestrutura

BR 262 e tantas outras obras necessárias seguem sem serem concluídas

O Brasil, pelas suas dimensões continentais, teria que dispor de uma infraestrutura de transportes muito acima da que tem hoje. E isso em todos os seus segmentos: aéreo, rodoviário, hidroviário e ferroviário

Publicado em 10 de Fevereiro de 2024 às 01:30

Públicado em 

10 fev 2024 às 01:30
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

luizcarlos@metronengenharia.com.br

Obras de duplicação da BR 262 - Obras na rodovia começaram pelo trecho entre o km 49 e o km 56
Obra na BR 262 na década passada Crédito: Divulgação/Dnit
Tantas são as obras paradas neste país que o brasileiro se acostumou a isso e nem questiona mais a não conclusão. 
O Brasil, pelas suas dimensões continentais, teria que dispor de uma infraestrutura de transportes muito acima da que tem hoje. E isso em todos os seus segmentos: aéreo, rodoviário, hidroviário e ferroviário.
No caso do deslocamento aéreo, ainda que estejamos longe do necessário, avançamos mais do que nos demais.
Quanto ao transporte rodoviário, o mais sintonizado com a nossa cultura, temos caminhado muito lentamente. Basta vermos o caso da duplicação de parte da BR 262, obra inaugurada durante o regime militar que permanece praticamente como foi construída, há mais de meio século.
A BR 262 atravessa quatro estados no sentido Leste-Oeste. Inicia em Vitória, no Espírito Santo, e termina em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Faz a ligação entre três capitais — Vitória, Belo Horizonte e Campo Grande.
A duplicação parcial dos trechos mais perigosos dessa rodovia foi iniciada pouco tempo atrás, mas logo depois paralisada. Infelizmente, pois trata-se de uma obra extremamente necessária.
E, quando penso em obras paradas, embora de pouca importância sob o ponto de vista da mobilidade, não consigo entender uma obra que tenho observado ao longo dos anos com tristeza: a segunda marina do Iate Clube de Vitória. Apesar de aparentemente concluída, nunca entrou em funcionamento. Se chegou a operar por algum tempo, não tive conhecimento. Intrigante? Certamente.
Seria a falta de um projeto que atenda às exigências das autoridades responsáveis pela aprovação desse tipo de empreendimento? Provavelmente não, haja vista que se isso tivesse acontecido, as obras de construção da marina nem Brsequer teriam sido iniciadas.
Infelizmente, esses óbices institucionais e burocráticos, difíceis de serem compreendidos, enfrentados e superados, permeiam a cultura do nosso país desde a sua colonização. Trata-se de uma doença cultural que precisaria ser combatida e tratada com vistas ao desenvolvimento da nossa sociedade.
Muitos são os casos que merecem ser lembrados. Com tristeza.
Todavia, como não vejo nenhum sinal de mudança no horizonte, continuaremos ainda por muito tempo convivendo com obras paradas e outras mazelas decorrentes do nosso atraso cultural.
Ou seja, enquanto perdurar esta passividade por parte da sociedade, permaneceremos sem avançar.
Lamentável.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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