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Infraestrutura

Estado precário da BR 262 exige esforço político para concretizar concessão

União, que antes da crise já não dispunha de recursos para obras, com o rombo causado pela pandemia enfrenta hoje uma dívida que se aproxima de 100% do PIB. Tornar essa concessão realidade, no entanto, não será nada fácil

Publicado em 07 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 dez 2020 às 05:00
Luiz Carlos Menezes

Colunista

Luiz Carlos Menezes

luizcarlos@metronengenharia.com.br

Data: 05/03/2020 - ES - Viana  - Trecho da BR - 262, km 27, Viana, onde houve deslizamento causado pelas chuvas - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Trecho da BR 262 em Viana, onde houve deslizamento causado pelas chuvas Crédito: Ricardo medeiros
Faz um ano que este jornal, sob o título “BR 262: uma rodovia que agoniza”, divulgou podcast sobre a situação crítica dessa estrada, alertando que a mesma estava praticamente entrando em colapso. Destacou o seu deplorável estado, agravado pelos estragos provocados pelas chuvas registradas na ocasião, como quedas de barreiras, interrupções da pista etc.
Decorrido um ano, mesmo com a realização de algumas obras de manutenção, a situação é praticamente a mesma. Estamos diante da mais evidente comprovação da incapacidade do Estado brasileiro de resolver tempestivamente problemas que esse.
No feriado de 12 de outubro, ao retornar à Vitória após um fim de semana em Pedra Azul, mesmo sendo usuário frequente dessa rodovia e conhecedor dos seus riscos, enfrentei mais uma desagradável situação: eram tantos os buracos que, mesmo dirigindo com todo cuidado, não consegui evitar um deles e uma forte pancada inutilizou um dos pneus do meu carro. “Muitos outros veículos tiveram o mesmo problema”, disse o borracheiro que me atendeu.
Cito esse pequeno incidente para que sirva de alerta ao leitor se fizer uso dessa perigosa rodovia.
E a novela da duplicação? Agora, pelo menos ficou claro que não caberá mais ao governo federal arcar com o custeio dessa obra, mas promover a sua realização através de concessão à iniciativa privada. Um avanço. Até porque a União, que antes da crise já não dispunha de recursos orçamentários para obras de infraestrutura, com o rombo causado pela pandemia enfrenta hoje uma dívida que se aproxima de 100% do PIB.
Tornar essa concessão realidade, no entanto, não será nada fácil, pois depende de uma complicada tramitação burocrática envolvendo vários órgãos federais: Ministério da Infraestrutura, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Tribunal de Contas da União (em agosto o processo foi encaminhado para o TCU), além de audiência pública e outros ritos burocráticos até a realização do leilão da concessão.
Assim, ainda que se reconheça o empenho do ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, em ver essa questão equacionada, para que o leilão dessa rodovia se concretize no primeiro trimestre de 2021 – conforme anunciado – é preciso também o empenho do governo do ES e da bancada capixaba junto a esses organismos em Brasília.
Se não houver um esforço político nesse sentido, não teremos a BR 262 operada pela iniciativa privada nem mesmo no segundo semestre de 2021. Uma decepção para os que se arriscam nessa rodovia.

Luiz Carlos Menezes

É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES. Desenvolvimento urbano, tráfego e mobilidade urbana são os destaques deste espaço. Escreve quinzenalmente, às segundas

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