Previsto para novembro deste ano, o leilão dos galpões do IBC está mobilizando muitos interesses. Principalmente por se tratar de uma área de 33 mil metros quadrados num bairro já inteiramente construído. Uma raridade.
Por isso, além do setor imobiliário, surgiram manifestações de interesse por parte de instituições estatais e de moradores do bairro. Estes defendem a destinação da área ocupada pelos galpões para atividades de lazer e cultura – pretensões naturais e legítimas.
Todavia, a despeito da legitimidade dos interesses que emergiram em razão do leilão, é preciso que seja bem esclarecido o objetivo da venda deste imóvel. O leilão faz parte de um programa de âmbito nacional com o objetivo de levantar recursos extras para o caixa da União, abruptamente impactado pelos gastos provocados pela pandemia; compreende a venda de 3.830 imóveis não utilizados pelos órgãos governamentais.
São muitas e relevantes razões que fizeram o governo federal dar celeridade à venda deste e de outros imóveis da União: (1) O Brasil está mergulhado na maior crise econômica da sua história; (2) Está enfrentando uma pandemia que provocou um grande estrago nas atividades econômicas e causou um rombo de cerca de R$ 800 bilhões nas contas públicas; (3) O desemprego atingiu 13 milhões de pessoas e milhares de trabalhadores informais perderam o sustento da família; (4) O governo foi obrigado a conceder auxilio emergencial para atenuar o drama de 65 milhões de brasileiros em situação de grande dificuldade; (5) Será preciso um grande esforço governamental para retomada da economia e do emprego. Enfim, o país vive um quadro de dificuldades jamais visto nos últimos 100 anos.
Ademais, já passou da hora da retirada daqueles imensos e horrorosos galpões que tanto prejudicam o visual do bairro Jardim da Penha – predominantemente residencial.
Além disso, um projeto para o local terá sua aprovação subordinada às diretrizes construtivas estabelecidas pelo PDU, muito restritivas naquele bairro; e, no caso do provável parcelamento da gleba, haverá, em contrapartida, um percentual de área a ser destinada ao uso público. Haverá, ainda, melhoria do sistema viário do local, uma vez que há duas ruas projetadas no interior do terreno. Na realidade, importantes benefícios para o bairro.
Portanto, não é hora de se criar obstáculos à realização desse leilão; seja com projetos de lei ou outras manifestações contrárias a sua realização. O interesse nacional deve se sobrepor a interesses pontuais.