Ao fazermos uma breve avaliação acerca dos problemas que vêm impactando a economia mundial (pandemia, guerra na Europa, inflação, instabilidade política, dentre outros), além de vermos a humanidade passando por tempos muito difíceis, paira uma grande obscuridade com relação ao que vem pela frente. O horizonte se mostra nebuloso e repleto de incertezas. Tanto sob o ponto de vista político como econômico. E isso é um fenômeno global. Pode ser observado em quase todos os países mundo afora.
Nesse contexto, diante da profusão de mudanças que marcaram definitivamente a vida da sociedade nestes últimos anos, podemos constatar que o mercado imobiliário brasileiro soube se adequar rapidamente a estes novos tempos. Vimos, em razão da pandemia e do rápido avanço da tecnologia digital – o que possibilitou a intensificação e a consolidação do trabalho remoto em inúmeros setores de atividades –, a abertura de um amplo e diversificado espaço para produtos imobiliários até então pouco demandados pelo mercado.
Podemos afirmar que o mercado se renovou e respondeu rapidamente a essas mudanças.
O expressivo crescimento das vendas de apartamentos compactos (para moradia ou aluguel), de apartamentos de alto padrão, de condomínios de casas fora do perímetro urbano e de terrenos em loteamentos para vários níveis de renda, mostraram que o mercado foi assertivo ao interpretar essas mudanças de hábitos na sociedade. Ainda que tenha havido uma retração no segmento de escritórios comerciais como consequência de uma maior utilização do trabalho remoto.
O que aconteceu com a indústria imobiliária em São Paulo – termômetro econômico do país – também foi observado na nossa região metropolitana. Haja vista que Vitória foi a capital que mostrou o maior crescimento nas vendas nos últimos doze meses, segundo pesquisa FipeZap.
Neste final de ano, todavia, os agentes imobiliários terão que avaliar as perspectivas para a economia ante o cenário político pós eleições e as atenções para a Copa do Mundo, novas circunstâncias que influenciarão no comportamento do mercado. Nesse novo cenário, ainda que haja uma infinidade de alternativas de investimentos no setor financeiro, a opção pelo imóvel – o chamado “bem de raiz” – ainda deverá ser levada em conta.
Com efeito, mesmo diante da redução dos negócios neste final de ano, da continuidade desse horizonte de incertezas e do desfecho do novo quadro político do país, a oferta de outros produtos poderá manter o mercado com um bom nível de atividade em 2023.