Além dos sofrimentos que a pandemia impôs à sociedade, essa trágica doença fez o Brasil mergulhar na mais profunda crise econômica e social da sua história. A mais abrangente de todos os tempos. Esse grande problema sanitário, além de ter gerado um gigantesco rombo nas contas públicas e uma trava na economia privada – com prejuízos sociais imponderáveis –, serviu ainda para fomentar o agravamento do nosso já complicado quadro político/ideológico.
Como o leitor deve ter percebido, a pandemia vai deixar sequelas duradouras em quase todos os segmentos da sociedade. E isso nos mostra que serão precisos muitos anos para o país recuperar a situação em que se encontrava antes da chegada da doença – que já não era nada boa.
A crise acarretou um rombo nas contas públicas que fez a dívida brasileira saltar para perto de 100% do PIB, causou uma brusca redução das receitas da União, aumento do desemprego, como também uma imensa desocupação dos trabalhadores informais – principalmente os que dependem do que ganham num dia para sobreviver no dia seguinte.
Complementando o que escrevi em artigo recente –“que seria preciso que as lideranças políticas coloquem a nação à frente de seus interesses pessoais”–, é também preciso que toda a sociedade se mobilize em prol da reconstrução do país. E como a pandemia atingiu mais duramente as classes menos favorecidas, faz-se necessária uma grande solidariedade nacional, principalmente em favor dessa expressiva parcela da população.
O Brasil precisa ser colocado à frente das ideologias políticas que tanto obstruem a concretização de medidas essenciais para a recuperação da nossa economia.
Diante desse cenário trágico, reverter essa situação só será possível mediante uma substancial diminuição do tamanho do Estado, de celeridade na venda de ativos da União – para ajudar a cobrir o gigantesco rombo aberto nas contas públicas –, de menos burocracia e estímulo à iniciativa privada para a geração de empregos. E isso só poderá ser alcançado através da priorização das privatizações, das reformas administrativa e tributária e de celeridade nas suas aprovações.
Enfrentar e vencer o desafio da reconstrução nacional deve ser prioridade de todos: governantes, políticos das várias correntes ideológicas, empresários, profissionais liberais, imprensa, formadores de opinião e classe trabalhadora. Que a sociedade reconheça isso! E que haja uma união nacional para minorar os sacrifícios impostos por essa crise e suas consequências futuras.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta