Ao nos aproximamos das eleições municipais, questões relativas ao desenvolvimento urbano e à qualidade de vida – como mobilidade, saúde, educação e segurança – emergem no cenário político como principais temas focados pelos candidatos. Pena que não haja mais debate – importante instrumento da democracia – e seja pequena a participação da sociedade. Uma participação que pode se traduzir em benefício para o eleitor e para a sua comunidade.
Diante das substanciais transformações que estão revolucionando a vida nas cidades, e ante a necessidade de estímulo ao debate, me valho deste espaço (como estudioso das questões urbanas) para ressaltar alguns pontos relevantes.
Em que pese a importância das obras urbanas recém-concluídas, e também as contratadas (avenidas Leitão da Silva e Vitória, Portal do Príncipe, seis faixas na Terceira Ponte e outras), embora essenciais e prioritárias, são obras convencionais e não se enquadram neste novo e dinâmico processo de transformação da vida urbana.
Em artigo recente afirmei que nas últimas três décadas o mundo mudou mais do que em vários séculos. São mudanças fruto do acelerado avanço da tecnologia, que estão transformando o dia a dia das pessoas; inclusive com relação à mobilidade urbana.
À luz desses novos tempos, é preciso que Vitória seja repensada. O presente já sinalizou com clareza a necessidade de mudanças consistentes no planejamento urbano – sob o risco de ficarmos defasados de uma nova realidade.
O crescimento do uso da bicicleta e de micromodais elétricos (scooters, patinetes, bikes, monociclos etc.) está demandando soluções urbanas em sintonia com essa rápida e salutar mudança de hábitos da sociedade. As cidades clamam por menos carros, menos poluição e mais gente circulando a pé. São mudanças em favor da reaproximação das pessoas e da melhoria da qualidade da vida urbana.
Todavia, isso só será possível mediante um planejamento urbano renovador. Tomemos como exemplo o que foi feito em Madri e muitas outras cidades europeias, onde o carro foi prioritariamente direcionado para as vias arteriais e coletoras e os pedestres e os veículos leves ganharam mais espaço através do alargamento de calçadas, mais ciclovias e mais ruas de pedestres.
Este será um grande desafio, haja vista que as administrações municipais geralmente caminham defasadas das necessidades do cidadão.
Será que o futuro prefeito se empenhará em colocar Vitória em sintonia com este rápido processo de mudanças? Só o tempo dirá.