Foram muitas as razões que me levaram a ocupar este espaço várias vezes em defesa do aquaviário. No primeiro artigo – PDU questionável (28.06.2005) –, publicado cinco anos após a desativação desse meio de transporte, critiquei o Plano Diretor então aprovado, pelo fato de ignorar a hidrovia nos estudos relativos à mobilidade. Citei, inclusive, os bons serviços prestados pelas barcas Rio /Niterói.
Outros artigos se seguiram enfatizando as ótimas condições de navegação da baía de Vitória e as vantagens da hidrovia: menores custos de operação (não exige restauração de pavimento, manutenção de semáforos etc.), menos poluição por não gerar congestionamentos, como também amplas possibilidades de expansão – ao contrário do nosso limitado sistema viário.
A volta do aquaviário, pela sua importância no enfrentamento do problema da mobilidade, é medida que já deveria ter sido adotada há mais tempo. As cidades litorâneas mundo afora, em sua maioria, não abrem mão da utilização desse meio de transporte. Inclusive as bem servidas por pontes, e até por túneis subaquáticos, como Nova York, Istambul e outras que continuam se valendo desse meio de locomoção.
No caso da nossa Capital, vale ainda lembrar que estará sendo resgatada uma histórica integração da cidade com a baía, uma tradição de mais cinquenta anos. Inclusive, em beneficio do turismo.
Foram dois longos períodos de utilização da nossa baía como hidrovia: o primeiro, por mais de três décadas, quando a principal ligação entre o Centro de Vitoria e Vila Velha (até os anos 60) era feita pelas chamadas “Lanchas de Paul”, serviços prestados com pontualidade pela Companhia Central Brasileira de Força Elétrica (CCBFE), então concessionária de energia da Capital. O trajeto até Paul era feito em lanchas, e de lá ao centro de Vila Velha, em bondes elétricos, operados pela mesma companhia (trajeto que fiz várias vezes).
O segundo, iniciado em 1978, foi uma iniciativa da Comdusa - Companhia de Desenvolvimento Urbano S.A., e se estendeu até 2005. Foi desativado, em parte, pelas boas condições de tráfego oferecidas pela Terceira Ponte (na ocasião), e também devido ao desgaste e obsoletismo das lanchas.
Na realidade, diante do progressivo aumento do problema da mobilidade, faltou aos governantes a percepção da necessidade em manter esse meio de transporte de massa. Agora, ante a proximidade da volta do aquaviário – em 2021, conforme anunciado pelo governador Casagrande – revigoro a minha certeza de ter defendido uma boa causa.