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Meio ambiente

Prevenção de desastres e descarbonização: o futuro das cidades capixabas

O Espírito Santo precisa dar um salto de qualidade e integrar as soluções de concreto e asfalto (engenharia) com as de infraestrutura verde (natureza)

Publicado em 01 de Setembro de 2025 às 03:00

Públicado em 

01 set 2025 às 03:00
Marco Bravo

Colunista

Marco Bravo

perito.marcobravo@gmail.com

O governo do Espírito Santo anunciou recentemente a liberação de R$ 50 milhões para apoiar os municípios na prevenção de desastres ambientais. É um passo louvável e relevante, que reforça a importância da Defesa Civil num tempo em que chuvas torrenciais, enchentes e deslizamentos deixaram de ser exceções para se tornarem sintomas cotidianos de um planeta em crise.
Mas há uma pergunta incômoda que precisa ser feita: como estamos investindo esses recursos?
A tradição tem sido priorizar obras de engenharia como muros de contenção, drenagens, canalizações. Medidas emergenciais e necessárias, mas insuficientes. Sem enfrentar as raízes do problema, continuaremos reagindo aos efeitos em vez de prevenir as causas.
O Espírito Santo precisa dar um salto de qualidade e integrar as soluções de concreto e asfalto (engenharia) com as de infraestrutura verde (natureza). Isso significa restaurar encostas com vegetação nativa para reduzir erosões e desmoronamentos, recompor matas ciliares para conter margens de rios e evitar assoreamentos e apostar em planos municipais de arborização e paisagismo capazes de transformar o ambiente urbano em um aliado na drenagem natural das águas, no conforto térmico e na saúde da população.
Essa mudança de mentalidade conecta-se a outro desafio global que não pode mais ser adiado: a descarbonização dos centros urbanos. As cidades precisam reduzir sua dependência de modelos que intensificam emissões de carbono, geram ilhas de calor e sufocam com trânsito caótico e pouca cobertura vegetal. Cada árvore plantada, cada metro quadrado de verde preservado ou recuperado significa menos CO₂ na atmosfera, menos calor retido no asfalto e mais qualidade de vida para quem habita os centros urbanos.

Casos de sucesso que inspiram

Experiências pelo mundo mostram que soluções baseadas na natureza podem ser tão eficazes quanto obras de engenharia. Em Cingapura, corredores verdes e jardins de chuva transformaram a drenagem urbana em aliada da vegetação, reduzindo enchentes e ampliando o conforto térmico.
No Brasil, Curitiba integrou parques lineares ao sistema de drenagem, unindo lazer, arborização e prevenção de desastres, enquanto o projeto de recuperação de matas ciliares do Rio Tietê ajudou a conter enchentes e melhorar a qualidade da água.
No Espírito Santo, Vitória traz um exemplo marcante após a tragédia do Morro dos Macacos, em 1985, quando fortes chuvas provocaram deslizamentos e mortes. A partir desse episódio, o município passou a investir em restauração ambiental de encostas e na implementação do Plano Municipal de Arborização, que alia reflorestamento, corredores ecológicos e a ampliação da cobertura vegetal urbana.
A Gazeta volta em Mimoso do Sul
A Gazeta voltou a Mimoso do Sul após quase um mês da tragédia causada pelas chuvas em 2024 Crédito: Fernando Madeira
Essas medidas fortaleceram a drenagem natural, reduziram riscos de novos deslizamentos e contribuíram para melhorar o conforto térmico da cidade. Programas estaduais como o Reflorestar também complementam esse esforço, recuperando áreas degradadas e nascentes em toda a região.

Sustentabilidade como defesa civil

Além da função ambiental, há também a dimensão econômica e social: uma cidade mais verde e sustentável é também mais atrativa para o turismo e o agroturismo, setores que podem se tornar motores de desenvolvimento regional. O visitante que encontra rios limpos, encostas seguras e ruas arborizadas leva consigo uma mensagem poderosa: aqui, o futuro já começou.
O esforço do governo estadual em ampliar os investimentos em prevenção merece reconhecimento. Mas é hora de dar um passo além: incluir a sustentabilidade e a descarbonização como eixos centrais da política de prevenção de desastres. O Espírito Santo tem a chance de se tornar referência nacional em resiliência climática, mostrando que a verdadeira defesa civil é aquela que também cuida da vida da natureza.
Prevenir desastres não é apenas conter tragédias. É semear futuro, com raízes profundas na terra e menos carbono na atmosfera.

Leituras recomendadas sobre o tema


  1. Cidades Resilientes: Como se Adaptar às Mudanças Climáticas – Ana Paula Fracalanza & Larissa Mies Bombardi.
  2. A Terra Inabitável – David Wallace-Wells.
  3. Resilient Cities: Responding to Peak Oil and Climate Change – Peter Newman, Timothy Beatley & Heather Boyer.

Marco Bravo

Biologo, mestre em Gestao Ambiental, comentarista de Meio Ambiente e Sustentabilidade da radio CBN Vitoria

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