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Vitória

Boate no Saldanha, leão do Parque Moscoso e muito mais: onde vocês se meteram?

A cidade andou registrando, aqui e ali, outros surpreendentes desaparecimentos. A começar pela Pedra dos Dois Ovos, colada ali no Penedo. Um ovo sumiu

Publicado em 31 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

31 jul 2022 às 02:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

marcos_alencar@terra.com.br

Crônica
Ronaldo Nascimento com a chave da boate Buteko Crédito: Amarildo
Naquela noite em que Ronaldo Nascimento fechou para sempre a sua boate Buteko e jogou as chaves no mar, eu tive um sonho maluco. Nele, os canhões do Forte São João viraram-se uns contra os outros e... ”bum!!” Explodiram-se. Não suportariam passar o resto de suas vidas vigiando o letárgico Penedo sem o som maneiro das picapes do Marcão. Falei de início que Ronaldo fechou a sua boate. “Sua” é maneira de dizer. O Buteko, na verdade, era nosso. Todinho nosso. Incluindo o barman Gilson e o porteiro Bufete.
Foi a partir desse dia que as coisas começaram a mudar por estas plagas. A cidade andou registrando, aqui e ali, outros surpreendentes desaparecimentos. A começar pela Pedra dos Dois Ovos, colada ali no Penedo. Um ovo sumiu. Ou então meus óculos que já não prestam mais. De qualquer forma ninguém fala mais deles. Não dos meus óculos, mas dos ovos.
Quem também partiu, e acho que pra nunca mais voltar, foi o miolo de boi à milanesa. Que delícia! Que pena! Quem comeu, comeu. Quem não comeu, comesse. Em que mesas, em que salões, em que trailers, enfim, eles agora se escondem? Vai saber...
Eles, os miolos de boi, e também o leão do Parque Moscoso. Mas aquele leão até que dá pra gente entender. Solteirão, comendo de marmita, a vida dele era um tédio só. Ninguém entendia que seus rugidos eram desesperados pedidos de socorro. Uma fera adulta sendo obrigada a conviver com o alvoroço diário dos visitantes do parque. Espirrando sem parar nas noites de festas, respirando aflito o coquetel de perfumes dos elegantes sócios do Clube Vitoria. Além de tudo isso, ainda tinha que aguentar a cantoria de fim de semana na Concha Acústica. Era mesmo dose pra leão.
Com o miolo de boi e o leão também saíram de cena as bolsas das madames. Em que baú foram sepultadas? Elas, companheiras inseparáveis que levavam uma vida boa, sempre carregadas por elegantes senhoras, sumiram. Nas fotos de hoje em dia, observo que foram todas trocadas por taças de vinho e sempre exibidas para fotógrafos em eventos sociais. Parecem brindar ao desenlace e dizer: “Já foram tarde!” Outra sentida ausência no dia a dia feminino: as anáguas. Caíram fora pra nunca mais voltar. Chega de viver escondidas sob as saias. Chega de anonimato.
Por outro lado, as ex-famosas areias monazíticas de Guarapari ainda andam por lá. Mas quem sumiu mesmo foi a turma do reumatismo. Trocaram as areias milagrosas pelos consultórios médicos. Falando neles, faço aqui um B.O. tentando encontrar os responsáveis pelo degredo de um conhecidíssimo procedimento médico: a operação. Como se vê, se ouve e se lê na mídia ninguém mais é submetido a uma operação. O mundo moderno lancetou a operação. E deu à luz uma nova expressão: “passar por cirurgia”. Ninguém mais é operado. Passa por cirurgia.
Tenho andado pelas ruas da Praia do Canto à procura de um cachorro vira-lata. Ele é manso, magro, de pelo curto e da cor de molho pardo. O doguinho pertence a um mendigo que fazia ponto nas proximidades de uma padaria do bairro. O dono e ele sumiram. Mas eu gostaria de tornar a vê-lo por uma razão, digamos, meio que prosaica: encantava-me ouvir o mendigo chamando o animal pelo seu nome de batismo: Beethoven. Juro! Por onde andará Beethoven? Nos tempos do Buteko, cachorros tinham nomes menos eruditos. Tipo King, Rex ou Tostão.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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