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Crônica

Oficina de reparo de políticos claudicantes

Exemplos daqueles que honram o trabalho a que se dedicam, temos aos montes. Sem alarde, sem buzinaços, sem transgredir as normas do transito profissional, eles podem ser vistos por todo lado

Publicado em 20 de Agosto de 2023 às 00:30

Públicado em 

20 ago 2023 às 00:30
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

marcos_alencar@terra.com.br

Amarildo
Ilustração da crônica de Marcos Alencar Crédito: Amarildo
Uma imaginária novidade no mercado, a mega oficina Batendo Pino, cuidaria exclusivamente de lanternar, trocar o óleo e limpar o carburador de políticos que estejam causando danos aos cidadãos, face a sua triste e miserável qualificação. O oposto de algumas dezenas de homens públicos de muito valor que realmente se entregam ao ofício de cuidar bem do Brasil e dos brasileiros. A Batendo Pino estará sempre de portas abertas para atender políticos realmente claudicantes. Traduzidos no dicionário como: “aqueles que faltam a seus deveres, que cometem erros de ofício, que são incertos, duvidosos, vacilantes".
Quem levar políticos com essa performance para um check-up na Batendo Pino poderá concorrer ao sorteio de uma bolada. O valor corresponderia a uma semana, de três dias de trabalho árduo (plantão nas redes sociais, entrevistas a influencers, votações, selfies... ufa!) do parlamentar. Para a sua informação um deputado federal recebe vencimentos da ordem de R$ 39,3  mil por mês. Com os penduricalhos essa remuneração chega aos R$ 100 mil mensais. Imagine quanta grana você poderá embolsar nessa promoção... dá quase pra comprar um Rolex.
Distante dos plenários, na luta diária para salvar vidas, uma enfermeira tem salário de R$ 2.919,82, em empresa de pequeno porte. E R$ 4.204,53 numa grande empresa. Oito horas de trabalho diário, com uma folga semanal. As enfermeiras são as verdadeiras “excelências” deste país. Elas e uma coleção de outros profissionais que se entregam ao trabalho, empenhados em fazer sempre o melhor. Brasileiros que não merecem ter como abre alas da vida profissional uma BR sem fim, engarrafada de políticos sem freios, com pneus carecas, queimando óleo e fundindo o motor.
Exemplos daqueles que honram o trabalho a que se dedicam, temos aos montes. Sem alarde, sem buzinaços, sem transgredir as normas do transito profissional, eles podem ser vistos por todo lado. Úteis para si, para as empresas nas quais trabalham, úteis para a comunidade em que vivem. Não discursam e nem vivem fazendo selfies por aí. São garis, professores, diaristas, engenheiros, médicos, faxineiras, jornalistas, lanterneiros... um mundo de profissionais dedicados a fazer o melhor a cada dia.
Numa entrevista à imprensa,  a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher (falecida há dez anos) asfaltou a estrada que pode nos levar a dias melhores. Disse ela: “A democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, mas para impedir que os ruins fiquem para sempre”.
Olho vivo, então! Porque se a gente der mole esses cabras terminam acampando no Palácio do Planalto e brincando de médico. Um receitando cloroquina e o outro ozonioterapia.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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