Os velhos ditados populares estão sempre tocando a campainha de nossas casas. E sempre traduzindo, com muita sabedoria, os acontecimentos do nosso dia a dia. Como se sabe, viver não é lá muito fácil. A vida está sempre carecendo de recauchutagem, de calibragem, de lonas de freio, de lanternagem e de amores. Muitos amores. A vida está sempre batendo à porta de uma oficina. Já os ditos populares, estes duram para sempre. Não têm prazo de validade. E desdizendo o próprio ditado, eles não carecem de renovação. Ditados populares são eternos.
Alguns trazem em sua mochila a sabedoria daqueles que sabem muito bem onde querem chegar. Embora não pareça num primeiro momento: “Sai de mim, abacaxi! Tomei leite”, parece coisa de criança. Mas se não quiser perder o amigo que pisou na bola com você, parece uma solução melhor do que mandá-lo para alguns lugares nada confortáveis.
Em escala um pouco menor, um ditado popular tem a mesma importância que as magistrais reitoras da universidade da vida, nossas mães. Elas que vivem asfaltando os caminhos, cuidando para que seus filhos não cresçam sem freios, sem faróis e com pneus carecas. E que só ofereçam carona às pessoas de bem. Neste ponto os chineses estão de olhos bem abertos: “As más companhias são como um mercado de peixes; acabam por nos acostumar ao mau cheiro”.
É claro que que no meio desta fieira de dicas, conselhos, sugestões e boas ideias, nos chegam também pitacos divertidos de contrapeso. Tipo: “papagaio que acompanha João de Barro vira ajudante de pedreiro”. Ou os “engana criança”: “Quem espera sempre alcança”, “cão que ladra não morde”, “a mentira tem pernas curtas”, “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”, “burro preso também pasta”. Em todos estes casos, há controvérsias.
Mas os bons conselhos saem sempre ganhando nesta magistral sala de aulas. Vejam só como uma única frase vale medalha de ouro pra toda a vida: “O homem é senhor do que pensa e escravo do que diz”. Outra: “O melhor travesseiro é a consciência limpa”
A filosofia africana exposta nos ditados populares parece ingênua, embora extremamente profunda. E universal: “Ninguém experimenta a profundidade do rio com os dois pés”. E mais: “Quando um rato ri do gato, há um buraco por perto”. Outra: “Se você pensa que é muito pequeno pra fazer a diferença, tente dormir em um quarto fechado com um mosquito dentro”.
Em outra margem deste rio temos ditados sem nenhuma preocupação educativa ou pretensão filosófica. São apenas divertidos, eu diria. Ou que outro comentário se poderia fazer ao ouvir: “Parece cão chupando manga”? Ou, como volta e meia alguém dizia no Britz Bar: “Aquele que dá e toma o outro fica sem aquilo”. Então, tá.
Por fim, um sábio conselho válido para todos a nossa volta: “Ouça mil vezes, fale uma só”.
Para todos, menos pra mim. Pra mim não adianta mais. Quem me conhece bem sabe que eu falo pelos cotovelos, desde que nasci. É congênito ou culpa da minha família que gostava muito de me ouvir.