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Crônica

Quer ver a sua mãe mortinha?

Quem, nos tempos da escola primária, não reagiu, incrédulo, ao ouvir de um colega algo até então impensável: “Jura? Que ver a sua mãe mortinha?”

Publicado em 26 de Novembro de 2023 às 03:00

Públicado em 

26 nov 2023 às 03:00
Marcos Alencar

Colunista

Marcos Alencar

marcos_alencar@terra.com.br

Crônica
Crédito: Amarildo
A dúvida sempre foi e continuará sendo uma pedra no meio do caminho da humanidade. Diante de uma gravidez sonhada, por exemplo, sempre haverá um berço de preocupações pairando sobre as cabeças dos pais. Virá por aí uma criança saudável, meiga, inteligente, bonita? Menino ou menina?
Com o advento da ultrassonografia e o sexo do bebê revelado por antecipação, a visão do rostinho perfeito e do corpinho em formação trouxeram um suspiro de alívio e um mundo de alegrias para a família. Mas a natural curiosidade dos pais corujas não para por aí. E os cabelos? Pretos, ruivos, castanhos ou louros? O bebê será grandinho, magrinho, gordinho, quietinho ou chorão? Nariz aquilino ou batatinha? A cabeça dos pais seguirá caraminholando até o bebê pousar em terra firme, o colo da mãe.
Pois é, nascemos debaixo de muitas dúvidas e seguimos pela vida duvidando de quase tudo e quase todos. Desde criança botamos um pé atrás quando um amiguinho contava algo que ainda não sabíamos. Quem, nos tempos da escola primária, não reagiu, incrédulo, ao ouvir de um colega algo até então impensável: “Jura? Que ver a sua mãe mortinha?”
E as dúvidas continuariam nos calcanhares de nossas vidas. Colega no Salesiano, Tina Tironi, um belo dia, realizou um velho sonho meu. Eu, que mal batucava um piano, era um desastre colossal diante de todo e qualquer instrumento de percussão. E Tina dava show no tarol.
E foi ele quem tirou da cabeça do responsável pela banda marcial do colégio qualquer resquício de dúvida sobre minha competência tocando surdo. Entrei pra banda levando o segredo esperto que Tina me soprara: “Na hora do repique, finja que está tocando. E depois siga repetindo o bum, bum. Não tem erro”. Foi o que fiz e deu certíssimo. Acho até que matei a pau.
Dúvidas, dúvidas, dúvidas... sempre ouvi por aí que no subsolo do Palácio Anchieta existe um túnel que leva até a Baia de Vitória. Tem mesmo?
Mas dentre todas as minhas dúvidas, uma delas tem me feito suar. Quem, na verdade, seriam os responsáveis pelo calor brabo que nos churrasqueia? Falam no efeito estufa, no El Niño, no aquecimento dos mares... Mas eu quase acredito que o grande responsável por este forno invisível é o noticiário nacional. Ele nos acorda dizendo que o dia vai estar pelando. E segue até ao anoitecer informando quantos graus de calor os termômetros estão acusando. E, não satisfeito, nos alardeia com os números da impiedosa sensação térmica. À noite avisam que o dia seguinte vai ser de lascar. O noticiário neste fim de ano tem me deixado em dúvida se não morrerei assado.
Falando nele, o noticiário mostrou outro dia imagens de um padre católico, em Vitória, – se você não viu, vai ser difícil de acreditar – fazendo a “benção das canetas” para que os estudantes se saiam bem no Enem. À sua frente três ou quatro estudantes com suas Bic nas mãos estendidas acreditando piamente no milagre da nota dez. Juro que é verdade! Quero ver minha mãe mortinha se estou mentindo.

Marcos Alencar

Marcos Alencar é colunista de A Gazeta

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