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Embelezamento de currículo

Freeman Dyson prova que produção intelectual vale mais que doutorado

Com 29 anos, Dyson tornou-se professor vitalício do célebre Instituto de Estudos Avançados de Princeton, mas não se deu ao trabalho de obter um título de doutorado

Publicado em 11 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 out 2020 às 05:00
Marcos Lisboa

Colunista

Marcos Lisboa

online@redegazeta.com.br

O físico Freeman Dyson
O físico Freeman Dyson Crédito: Reprodução/Instagram @quantumaths
O embelezamento de currículos, com seus feitos imaginários, alguns plágios e pouca ciência, tornou-se tema recorrente, e divertido, nesta terra de bacharéis. Pequenas transgressões são particularmente graves quando cometidas por quem tem como dever aplicar a lei.
Melhor explicar alguns fatos que podem constranger candidatos a ministro e turvar currículos. Não existe título de pós-doutorado. Isso é nome de fantasia que impressiona os incautos.
Existem escolas profissionais que ensinam técnicas para seus alunos, como engenharia ou medicina. Nos melhores programas de doutoramento, por sua vez, os alunos se dedicam a uma área de pesquisa e devem demonstrar um novo resultado relevante.
A maioria dos recém-doutores, porém, não consegue emprego nas boas instituições de ensino. Alguns acabam optando por trabalhar, depois de formados, sob a tutela de um professor mais experimentado. Essa afiliação temporária é denominada de pós-doutorado. Trata-se de uma pinguela, não de uma condecoração por mérito.
Além disso, títulos são pouco relevantes na boa academia, no máximo um indício para avaliar o candidato com atenção. O que interessa é a sua produção intelectual.
Freeman Dyson foi um notável físico. Gentil, com raciocínio incrivelmente rápido e irrequieto, ele contribuiu em diversas áreas, em geral na contramão da visão convencional.
No fim da Segunda Guerra, a teoria quântica de campos, que surgiu da união da mecânica quântica com a relatividade restrita, tinha problemas conhecidos, como valores infinitos em vários casos.
Em 1948, dois jovens físicos, Feynman e Schwinger, apresentaram para uma plateia com os melhores pesquisadores da área, incluindo alguns prêmios Nobel, suas tentativas, aparentemente díspares, de tratar as dificuldades.
Feynman utilizava estranhos diagramas; Schwinger, uma complexa matemática. Ambos foram recebidos com ceticismo e críticas. Um físico japonês, Tomonaga, propôs abordagem similar à de Schwinger.
Pouco depois, Dyson, com 25 anos, esclareceu a confusão. Ele compreendeu que as abordagens eram equivalentes e mostrou que davam conta das dificuldades.
Feynman, Tomonaga e Schwinger receberam o prêmio Nobel. Alguns acreditam que Dyson deveria ter sido agraciado. Ele mesmo, porém, ressaltava que o candidato a jovem Einstein era Feynman. "Sou um resolvedor de problemas em vez de um criador de ideias."
Dyson recebeu, desde cedo, muitos dos principais prêmios e honrarias da profissão. Com 29 anos, tornou-se professor vitalício do célebre Instituto de Estudos Avançados de Princeton.
Freeman Dyson não se deu ao trabalho de obter um título de doutorado.

Marcos Lisboa

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