Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Economia

Tributação: benefícios privados, custos coletivos

Distorções do sistema tributário contribuem para baixo crescimento econômico

Publicado em 20 de Setembro de 2020 às 08:56

Públicado em 

20 set 2020 às 08:56
Marcos Lisboa

Colunista

Marcos Lisboa

online@redegazeta.com.br

Pagamento em dinheiro
Reforma ampla acarreta a mudança dos preços que afetam a produção, sem aumentar a arrecadação Crédito: Siumara Gonçalves
coluna sobre reforma tributária da semana passada provocou reações. Alguns temem que a nova regra dificulte o acesso aos livros, "importantes para desenvolver o hábito de leitura". "Não se deveria começar a reforma pelos livros", escreveram-me.
O problema, porém, é mais sutil. A proposta não "começa pelos livros". O ideal é uma regra que uniformize a tributação sobre o consumo, passando a cobrar a mesma alíquota qualquer que seja a decisão, comprar livros ou pagar a conta de luz. São muitas as razões para uma reforma abrangente.
Nosso complexo sistema tributário é repleto de distorções, casos especiais e isenções. Como os gastos públicos obrigatórios são crescentes, os governos têm sido criativos para elevar a arrecadação, onerando particularmente serviços essenciais.
A energia elétrica e os serviços de telecomunicações, por exemplo, consumidos pela imensa maioria, acabam tendo uma carga tributária acima de 40% para compensar as muitas desonerações. A indústria, em geral, é demasiadamente tributada. Essa forma de tributação torna obscuro quanto cada cadeia de produção é onerada. Muitos apenas percebem que os preços dos seus insumos são bem mais caros aqui do que em outros países, sem se atentar para uma das razões do problema.
Caminhões, que distribuem livros e alimentos, são desonerados do IPI, contudo pagam muitos tributos escondidos no preço do aço. Bem calibrada, uma reforma ampla acarreta a mudança dos preços que afetam a produção, sem aumentar a arrecadação. Ganham-se transparência e equidade na tributação sobre o consumo, mas não só isso.
Nosso baixo crescimento econômico de décadas tem muitas causas. Uma delas é a distorção causada pelo sistema tributário nos preços relativos, que induz decisões ineficientes de investimento e de produção.
A imensidade das distorções resulta em um equilíbrio disfuncional. Cada um sabe do benefício que recebe, opondo-se a uma reforma que equalize a regra. Desconhecem ou ignoram, contudo, os tributos que pagam, camuflados nos preços mais altos dos bens e serviços necessários à produção.
Além disso, como argumentei na semana passada, a política social para cuidar das famílias vulneráveis é mais eficaz por meio do gasto público do que por isenções seletivas. Melhor aumentar o Bolsa Família, construir bibliotecas e dar atenção à educação infantil, desenvolvendo a competência de leitura na idade adequada, do que desonerar bens e serviços consumidos por ricos e pobres.
Se quisermos superar o nosso atraso, devemos sair dos nossos casulos, entender os efeitos colaterais das distorções atuais e considerar um pouco mais o bem comum.

Marcos Lisboa

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Frango malpassado: entenda os riscos à saúde e como evitar contaminações
O USS Nimitz (CVN 68) vai navegar pela costa sul-americana durante a Southern Seas 2026
Porta-aviões nuclear dos EUA virá ao Rio em missão de demonstração
Lúcio Wanderley Santos Lima Filho foi morto a tiros no bairro Bebedouro, em Linhares
Homem é assassinado a tiros após confusão em festa em Linhares

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados