O Centro de Vitória, apesar de sua abundante história, é o retrato do abandono. Violento, sujo, mal iluminado, empanturrado de emaranhados de fios em postes, com praças decadentes e mato crescendo por toda parte, o que afugenta moradores, comerciantes, consumidores e turistas.
No ano passado, foram registrados no Centro de Vitória 221 assaltos a pessoa em via pública, 104 furtos em estabelecimentos comerciais, 45 roubos em transporte coletivo e 38 roubos em estabelecimentos comerciais. Uma tragédia!
Os moradores, comerciantes e frequentadores do Centro não aquentam mais as promessas dos políticos e os estudos protelatórios em busca do que fazer. O que anseiam é que as autoridades desçam do palanque e tomem atitudes concretas para transformar o centro histórico da Capital em um polo dinâmico da economia capixaba. Um local atraente e alegre para moradores, consumidores e turistas, como em tantas cidades no mundo.
Todos já sabem que o Centro precisa de investimentos na infraestrutura do Porto, na Vila Rubim e no Mercado da Capixaba, transformando-os nos impulsionadores da cultura e do turismo.
O Porto de Vitória deve se abrir para a cidade, e não dar as costas como é hoje. É preciso garantir o lado da responsabilidade social e ambiental. Os galpões do porto devem ser utilizados com finalidades culturais, gastronômicas e sociais. Deve contar com um espaço multiúso e ser renovado, para que se torne um lugar bonito e acessível aos visitantes, inclusive os que viajam em cruzeiros.
Em outros países, o porto é uma atração turística e um lugar de aprendizado e desenvolvimento. Em Vitória pode-se organizar visitas de estudantes para que entendam a relação do porto com a cidade e como os bens que consomem viajam ao redor do mundo até chegarem a nossa casa, por exemplo.
O Centro Histórico de Vitória não pode ficar para trás. É uma covardia não só com os moradores, mas com todos os capixabas.
Em um passado não muito distante, no final do Século XX, Vitória teve a capacidade de pensar e efetivamente fazer seu futuro. Depois disso, as lideranças que vieram foram incapazes de colocar em marcha um projeto de desenvolvimento para a cidade. Vitória perdeu o protagonismo e estagnou. Só ideias soltas, sem visão estratégica e sem concretude. E o Centro, consequentemente, fatalmente impactado.
Temos que reagir e agir. Está claro que carecemos de pessoas no poder público que tenham coragem e assumam verdadeiramente a responsabilidade diante dos problemas. Que não se especializem em apenas fazer promessas, mas estejam preparadas para lidar e resolver os problemas. O resgate do Centro de Vitória, de nossa história, começa na coragem de agir, na vontade política e no compromisso com o cidadão. O Centro é o coração da cidade e ele não deveria parar de pulsar.