Não deveria existir ninguém mais preocupado com a segurança dos munícipes do que o próprio prefeito, por conseguinte deveriam assumir o protagonismo na prevenção da violência em suas cidades. Precisam então parar de derrapar na segurança pública, adotando discursos e ações populistas. Entre o caminho certo e o fácil, não adianta abraçar o fácil.
Tenho visto como exemplo de caminho fácil alguns prefeitos criando grupos táticos em suas guardas municipais e anunciando que enfrentarão o tráfico de drogas. Está evidente que é uma ação meramente populista, uma derrapada feia e sem efeito. Uma pena isso ainda ocorrer, porque na verdade é na mão dos prefeitos que está a valiosa possibilidade de adoção de medidas que impactarão diretamente nas causas da violência.
Uma das maiores causas da violência, e que é de responsabilidade dos prefeitos atuarem, é a baixa qualidade do ensino público, especialmente das crianças e adolescentes. A obsessão dos prefeitos deve ser por uma educação básica de qualidade, conscientes de que um governo que adota boa política gasta energias trabalhando para impulsionar desenvolvimento social, começando pela educação.
Os prefeitos precisam entender que as periferias, com adolescentes e jovens que não estudam nem trabalham, que optam pelo crime, revelam a ineficiência na gestão da educação. Eles devem perceber que a baixa qualidade no ensino público está vinculada à má gestão e não à ausência de dinheiro. E devem assimilar que uma boa educação é a primeira condição para permitir a todos uma chance justa na vida.
Ao invés de direcionar guarnições da guarda municipal para enfrentarem o tráfico de drogas, o que não é de sua atribuição, poderiam, por exemplo, criar ou ampliar a patrulha escolar, a fim de contribuir com um ambiente escolar mais seguro e pacífico, favorecendo a aprendizagem.
Deveriam também focar suas energias nas políticas de prevenção social nas áreas de maior vulnerabilidade juvenil, ajudando na construção de uma rede de oportunidades de educação, emprego, habitação, esporte e renda para jovens com maior exposição às drogas, à violência e à gravidez precoce.
O esporte é um dos melhores caminhos que os prefeitos deveriam percorrer para transformar a vida desses meninos e meninas. A construção de ginásios, promoção de eventos, campeonatos e manutenção de projetos esportivos nas áreas de vulnerabilidade juvenil fazem toda a diferença, que o diga Rebeca Andrade, medalhista olímpica e atual campeã mundial de ginástica artística. Ela começou treinando aos quatro anos em um ginásio da prefeitura de Guarulhos/SP, por meio de um projeto social da secretaria de esportes do município.
Outra grande causa da violência e que é de responsabilidade dos prefeitos agirem, é a infraestrutura precária dos espaços urbanos e territórios marcados pela violência. O delito é muito influenciado pelo desenho urbano. Todas as vezes que se observa a ocorrência de criminalidade crônica num determinado ponto da cidade, o problema ali também é da estrutura física do local. Ambientes organizados, limpos, iluminados e bem cuidados são, naturalmente, mais seguros.
Robustas produções científicas apontam, e já há algum tempo, que a eclosão da violência depende do ambiente em que as pessoas estão inseridas, portanto em vez de enviar efetivo de suas guardas para enfrentarem os efeitos daquele ambiente mal estruturado e desorganizado, os prefeitos devem adotar políticas de desenvolvimento urbano dessas áreas, garantindo dignidade aos seus moradores.
Foi-se o tempo em que a formulação e a execução das políticas na segurança pública se limitavam às ações das polícias e do sistema de justiça criminal. A sabedoria e a ciência pregam a prevenção da violência, por isso é mais inteligente descobrir suas causas, pois, descobrirá a chave do problema, e essa chave está nas mãos dos prefeitos.