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Economia

A bolha bolsonarista e o mito da caverna

A questão é que ao falar aos internos da sua “caverna”, e no linguajar que lhe é bem próprio, Bolsonaro acaba insuflando e afetando o mundo real

Publicado em 11 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

11 set 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Apoiadores de Bolsonaro fazem manifestação em Vila Velha e Vitória
Apoiadores de Bolsonaro na Terceira Ponte, no Dia da Independência Crédito: Ricardo Medeiros
As demonstrações de apoio a Bolsonaro no Dia da Independência, restrita à bolha bolsonarista, é importante que se diga, joga, sem dúvida, mais água fria na economia. Em rompantes expressos em falas carregadas de desatinados ataques às instituições democráticas do país, Bolsonaro se isola ainda mais, confinando-se aos limites da “bolha” que o acolhe e o anima enquanto mito e “messias”.
Bem vale a lembrança do “mito da caverna” demonstrada pelo filósofo e pensador grego Platão para explicar o perigo do confinamento de ideias e visões aos limites simbolizados pelas paredes de uma caverna, refletidas somente para aqueles que lá vivem. Os entes nela confinados acabam falando a eles mesmos, como espelhos refletidos. Faz sentido a analogia à “bolha”.
A questão que se coloca é que ao falar aos internos da sua “caverna”, e no linguajar que lhe é bem próprio, Bolsonaro acaba insuflando e afetando o mundo real, aquele do dia a dia, por meio da geração de ondas crescentes de incertezas e sucessivos estados de instabilidade nas instituições básicas da nação.
Já se esperava um fraco desempenho da economia neste segundo semestre do ano, mas principalmente no próximo ano. Essa percepção, agora, especialmente com os episódios desta semana, é uma tendência que deverá se acelerar. Instituições financeiras já estão projetando crescimento de apenas 1% em 2022, mais pressão inflacionária, juros em alta e dólar também em alta.
Se alguém mais otimista vislumbrava um movimento de aceleração das reformas ou soluções mais rápidas dos atuais e já conhecidos entraves, como o da questão fiscal e dos precatórios, pode colocar “as barbas de molho”. Não vai ser nesse ambiente de relações extremamente “azedadas” que vamos encontrar espaços para gerar condições para avanços. O governo Bolsonaro mira 2022 e pouco importa o que está em jogo no momento.
Imaginemos investidores nacionais e internacionais diante desse cenário. Prevalece não somente a cautela, mas principalmente movimentos de fuga de investimentos em ativos de maior risco. E isso faz elevar a cotação do dólar e consequentemente os preços de produtos importados e internos, bem como também deprecia os nossos ativos, que nem por isso se tornam mais atrativos lá fora.
Para piorar o cenário, todo esse imbróglio que abala as instituições básicas da nação brasileira devem corroer ainda mais os investimentos públicos. A previsão oficial, e que consta na proposta orçamentária para 2022, é de que os investimentos do governo federal cheguem a apenas R$ 26 bilhões, ou seja, algo em torno de 0,27% do PIB. Patamar mais baixo tomando-se por base os últimos 10 anos. O desfecho final vai depender das negociações em torno dos precatórios; que, se havia clima, agora dificilmente avançarão.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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