A indústria de transformação ainda é vista como o núcleo central a ditar o dinamismo, a complexidade, a produtividade e, por conseguinte, as transformações mais profundas nas economias. É por isso que o seu desempenho e o seu peso relativo na geração de riquezas despertam atenções e ao mesmo tempo preocupações. Dá-se o nome de desindustrialização ao fenômeno que implique em perdas sistemáticas do peso relativo desse setor no PIB. E é o que supostamente estaria acontecendo no Brasil e também no Espírito Santo nos últimos 20 anos.
Mas, por quais razões damos tanta atenção a esse segmento específico da indústria e não ao geral? A explicação parece-nos bem simples, pois é onde normalmente estão centralizadas as principais transformações tecnológicas, as pesquisas, as inovações em processos produtivos e de produtos, a robotização de processos produtivos e outros avanços.
Comparativamente aos demais setores da economia, é onde acontecem com maior intensidade ganhos de produtividade, investimentos em pesquisa e desenvolvimento. É onde também vamos nos deparar com o a indústria 4.0, a indústria da era digital.
Espelhando-nos na indústria 4.0, vamos perceber o quão distante está a indústria de transformação do Brasil e do Espírito Santo dos países mais avançados como Alemanha, Estados Unidos, China e Coreia do Sul, apenas citando alguns deles. E pensar que, por exemplo, nos Estados Unidos, a indústria de transformação responde por apenas 11% do PIB, praticamente o mesmo patamar observado no Brasil e no Espírito Santo.
A questão é que nos Estados Unidos, e não é diferente quando comparamos com os demais países que estão na vanguarda, mesmo com 11% de participação no PIB, a indústria de transformação é responsável por cerca de 30% de incremento de produtividade, absorvendo 70% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, ou seja, em novas tecnologias, e ainda é responsável por 20% do total dos investimentos produtivos.
A indústria de transformação capixaba em 2018 respondeu por 11,4% do PIB. Bem menos dos 17,8%, em 2002. Ou seja, segue a mesma lógica observada nacionalmente. O que implica deduzir que não são especificidades do Espírito Santo as fontes causadoras dessa queda, mas sim, primordialmente, questões e entraves estruturais que são bem próprios de como se dá o processo de desenvolvimento do país. Inquestionavelmente bem longínquo de patamares que primam pela competitividade. É preciso, portanto, destravar o espírito empreendedor do país.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta