Se observarmos os comentários feitos por especialistas acerca do comportamento do PIB brasileiro para o próximo ano vamos ver que a maioria adere ao consenso de que estaria na questão fiscal o principal fator a puxar as expectativas para baixo.
Poucos se arriscam a cravar um percentual que ultrapasse 2%. Mas vamos encontrar aqueles mais otimistas que chegam a 2,5%, ou mesmo na possibilidade de repetição de 2023, que foi um ano no qual as expectativas negativas foram sendo frustradas durante o ano.
Mesmo com tropeços no segundo semestre, o número final não deverá fechará longe dos 3%. Um número razoavelmente bom tendo em vista o histórico dos últimos dez anos, mas que por algumas razões não projeta um possível “carregamento” mais alentador para o próximo ano.
Mesmo as boas notícias vindas da reforma tributária e de avanços no campo fiscal com a LDO confirmando a meta de déficit primário zero, que o “mercado” já precificou que não se efetivará, perdura ainda o receio de que a economia brasileira tenha se debilitado ao ponto de comprometer o seu crescimento potencial.
Embora não havendo um consenso claro em relação ao conceito de PIB potencial, pois os economistas costumam recorrer a “dicionários” que lhes possam parecer mais apropriados, a tese de que o nosso país se depara com barreiras estruturais à sua extensão parece fazer sentido.
O economista Roberto Macedo, por exemplo, em artigo publicado no Estadão desta semana defende que o PIB brasileiro vem crescendo abaixo do seu potencial desde a década de 80. De fato, se tomarmos como base o período de 1980 a 2020, o PIB cresceu a uma taxa média anual de apenas 2%. Bem diverso do ocorrido na década de 70, quando atingiu a média de 8% ao ano.
Estudiosos da temática do PIB potencial defendem a tese de que a taxa de crescimento estaria entre 1,5% e 1,8%, podendo chegar a 2%. Esses números indicariam que esses patamares seriam compatíveis com a capacidade instalada do sistema econômico e o nível de produtividade observada. Passar além desses tetos abriria espaços para pressão inflacionária.
O que faria, então, o PIB potencial crescer? A resposta é bem simples e óbvia: investimentos. Que é onde estamos patinando faz muitos anos. Investimentos e aumento de produtividade são os dois fatores críticos para se elevar o PIB potencial. Nos dois últimos trimestres tivemos queda nos investimentos. Em percentual do PIB deverá fechar o ano no entorno de 17,30%. Muito aquém do que se exigiria para sustentar uma taxa de crescimento de no mínimo 3%, que exigiria um percentual acima de 20%.
Para que o Natal do próximo ano possa ser melhor do que o deste ano, é preciso e compulsório que se destravem os investimentos. E não existem segredos e nem mistérios para se fazer isso.