Ao alinhar-se com os Estados Unidos na guerra comercial com a China - uma espécie de nova versão da “guerra fria” travada com a antiga URSS no século passado, e que terminou com a queda do muro de Berlim -, coloca as relações comerciais do Brasil em rota de risco.
A questão a se ressaltar no caso presente é que, diferentemente do caso da URSS, a China rivaliza com os EUA na disputa pelo comando da economia mundial. Como a China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, sendo responsável pela absorção de cerca de um terço das exportações brasileiras, segundo dados do primeiro semestre de 2020, confrontá-la explicitamente pode comprometer uma retomada mais segura da economia brasileira.
E foi o que fez o Brasil recentemente ao declarar, alinhado com os Estados Unidos, a favor do não reconhecimento da China enquanto economia de mercado na OMC (Organização Mundial do Comércio). Aliás, voltando atrás no seu posicionamento tomado em 2004, que ensejou a realização de vários contratos de cooperação entre os dois países e que também fez elevar aquele país à condição de maior parceiro comercial.
A retomada rápida e até surpreendente da economia da China no primeiro semestre de 2020, que contou com a ajuda da desvalorização do real frente ao dólar, fez elevar as exportações brasileiras para aquele país em 15% em comparação com o mesmo período do ano passado. Movimento que explica o também surpreendente saldo comercial de US$ 18 bilhões com aquele país.
A China é também responsável por um percentual razoável das exportações capixabas. No primeiro semestre de 2020, por exemplo, o Espírito Santo exportou para lá o equivalente a US$ 340 milhões, representando um incremento de 58% em relação ao mesmo período de 2019. Enquanto isso, embora na condição de maior parceiro comercial do Espírito Santo, as exportações capixabas para os EUA caíram 30%, fazendo baixar sua participação de 34% para 32% no total da movimentação comercial.
Em síntese, China e Estados Unidos são responsáveis por cerca de 50% das exportações capixabas. O que nos leva à conclusão, até óbvia, de que essa “guerra fria” entre gigantes do comércio internacional, e agora contando com o alinhamento explícito do Brasil com os EUA, poderá trazer consequências para a nossa economia estadual. Com chances maiores de serem negativas.