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Economia

As causas do difícil retorno do emprego no Brasil

Por mais que imaginemos a economia crescendo no pós-pandemia, mesmo que a taxas relativamente altas, digamos no entorno de 5% em 2021, não se projetam quedas significativas na taxa de desocupação

Publicado em 14 de Agosto de 2021 às 02:00

Públicado em 

14 ago 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Carteira de trabalho digital.
Carteira de trabalho digital: há um certo consenso entre analistas de que a taxa de desocupação da força de trabalho será mantida em patamares elevados Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Com certeza a economia terá peso significativo como variável a influenciar as eleições em 2022. Aliás, como tem acontecido em outras. Por vezes, no entanto, o seu peso, e consequentemente influência, pode nem vir diretamente sob o respaldo do lastro de indicadores favoráveis, representados sobretudo pelo crescimento da economia refletido no nível de emprego e na massa de renda. Isso acontece quando, mesmo na adversidade, cria-se um ambiente coletivo de confiança ancorado em proposta de projeto crível de futuro.
A questão central a ser colocada no momento é que o nosso Brasil encontra-se distante das duas hipóteses acima. Primeiro, pela dificuldade de transformar crescimento econômico em aumento de emprego e massa de renda, de forma combinada com incremento de produtividade e melhoria de competitividade. Segundo, que julgo bem mais grave, pela extrema dificuldade em oferecer ancoragem às expectativas de médio e longo prazo.
Vejamos a questão do emprego. Por mais que imaginemos a economia crescendo no pós-pandemia, mesmo que a taxas relativamente altas, digamos no entorno de 5% em 2021, não se projetam quedas significativas na taxa de desocupação. Há um certo consenso entre analistas de que a taxa de desocupação da força de trabalho será mantida em patamares elevados por um período mais longo do que se esperaria. No entorno de 12% para 2022. Retornando ao patamar da pré-pandemia.
Desde 2015, a economia brasileira vem perdendo fôlego no crescimento econômico, em dinamismo geral, em produtividade e competitividade. Fragilizada, naturalmente à exceção de setores como o do agronegócio, a economia vem encontrando dificuldade em gerar novos postos de trabalho, especialmente postos que exigem maior qualificação. Isso explica a manutenção de alta taxa de desocupação, hoje em 14,6%, apesar da reação mais forte da economia.
Em outras palavras, se o PIB surpreendeu ao voltar ainda no primeiro trimestre de 2021 ao patamar pré-pandemia, a decepção ficou por conta do emprego, cujo patamar indicativo de pessoas ocupadas encontra-se, hoje, cerca de 7% abaixo do nível observado no primeiro trimestre de 2020.
Vale lembrar que a surpresa em relação ao crescimento do PIB, estimado em 5,5% em 2021, carrega consigo um efeito meramente estatístico em razão do baixo patamar da base de cálculo registrado em 2020. Tirado o efeito estatístico do tipo “carry-over”, efetivamente o PIB teria crescido algo no entorno de 3,5%.
Para 2022, com certeza, não vamos ter o efeito estatístico, mas sim outros efeitos que já começam a despontar como percalços à confirmação de um cenário mais otimista. Incertezas crescentes, sobretudo geradas pelas turbulências intermitentes,  na política, no quadro institucional, na gestão da pandemia, na gestão econômica e fiscal, e outras frentes, nos levam a crer que não repetiremos 2021, mesmo sem o efeito estatístico. Assim, o país ainda continuará a dever empregos.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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