O agronegócio capixaba vem passando por um processo interessante, o qual podemos chamar de transformação silenciosa. Uma transformação que está mais para uma transição para patamares mais elevados de competitividade e de sustentabilidade ambiental. Bem na linha das macrotendências e desafios globais e nacionais. Um processo que faz despontar algumas excelências produtivas, dentre as quais a silvicultura, com o eucalipto e a celulose, os cafés – faz sentido o plural -, a pimenta-do-reino, o mamão e o gengibre.
Uso o conceito de agronegócio por julgá-lo mais adequado para uma percepção de realidades que extrapolam os limites rígidos que impõem as “caixinhas” da contabilidade oficial do PIB. Enquanto no conceito restrito do PIB da agropecuária chega-se a um percentual no entorno de 6% de participação nacionalmente, no conceito amplo de agronegócio atinge-se aproximadamente 24% (2022), segundo cálculos efetuados pelo CEPEA- Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP, dos quais 42% representados por serviços ao agro.
Na linha de frente estão posicionados os cafés. Faço o uso do plural por entender que existem particularidades e atributos que os distinguem. O conilon, com uma evolução quase meteórica, em curto espaço de tempo, e que coloca o Espírito Santo no topo mundial em excelência. O arábica, pelos seu histórico de mais de 150 anos, mas, sobretudo pelo seu retorno “reinventado” após o desastre sofrido com a erradicação na década de 60. Reinventado, pois retornou repaginado, saindo de condição de “patinho feio”, de segunda e terceira classes, para patamares de excelência em qualidade.
A silvicultura é outra excelência, com o Espírito Santo se destacando no pioneirismo em avanços na cultura do eucalipto, em experimentos iniciados em meados da década de 60 e que deu origem à produção de celulose pela então Aracruz Celulose, hoje Suzano. Hoje podemos considerar a cadeia de valor que tem como base o eucalipto a mais longa, por ser global, a mais completa, pela diversidade e quantidade de elos agregadores de valor. Ou seja, além da celulose estende-se para a produção de papel higiênico, laminados, painéis de MDF (Placas do Brasil) e uma infinidade de produtos que passam por processos de transformações.
Muito provavelmente poucos imaginariam ver o Espírito Santo galgado à posição de maior produtor e exportador nacional de pimenta-do-reino, desbancando o estado do Pará e respondendo por 61% da produção nacional. Em 2022 o Espírito Santo exportou 51 mil toneladas e 181 milhões de dólares em pimenta-do-reino. O correspondente a 58% da exportação nacional do produto. Um salto enorme se considerarmos que em 2014 o Espírito Santo exportou 8,9 mil toneladas apenas, o correspondente a 26% das exportações do produto pelo Brasil.
Não poderíamos deixar de registrar o mamão como fazendo parte das excelências, especialmente para o mercado externo. Aliás, o Espírito Santo foi o Estado que abriu o mercado externo para o produto. Isso a despeito das já bem conhecidas deficiências de infraestrutura, que encarece a logística, que agora pode contar com embarques aéreos pelo Aeroporto do Vitória.
Outra surpresa agradável vem do gengibre, com exportações atingindo em 2022 cerca de 19 milhões de dólares, sendo o Espírito Santo o maior produtor e exportador do produto. A produção do produto cresceu a uma média anual de 23% entre 2014 e 2022.
Certamente outras excelências surgirão pela frente, ampliando e diversificando a oferta de produtos, produzidos de forma sustentável, com mais agregação de valor localmente e mais complexos economicamente.