Tenho sido recorrente em tratar da complexidade econômica nos meus artigos semanais. E especialmente me reportando ao caso do Espírito Santo. Admito que essa recorrência possa ser interpretada como insistência ou resiliência provocativa. Devo dizer que não é por aí que passa a motivação, mas sim porque na dinâmica veloz das transformações é possível detectarmos novas frentes de possibilidades e oportunidades capazes de colocar a economia capixaba num rumo mais sustentado e sustentável.
Participei na última terça-feira (31) da 13ª Fenergia - Fórum de Energia, cujo tema central foi a transição energética sob a ótica das oportunidades de negócios que dela podem derivar. No percurso das falas, palestras, painéis e “casos”, pude desenhar mentalmente, projetar e arquitetar no imaginário, e em rede, mapa de possibilidades e oportunidades para o desenvolvimento do Espírito Santo, tendo como base referencial o conceito de complexidade econômica. Concluí, então, que uma transição energética bem pensada e estruturada pode ser um caminho viável e seguro para o aumento da complexidade da economia.
Bem na fala de abertura feita por Casagrande, que partindo da constatação de que a economia capixaba, pela sua dimensão e características, precisa produzir para fora para crescer – plataforma de oferta –, mas que para isso precisa contar com insumos e produtos de fora – plataforma de demanda –, a mesma necessita adequar-se aos cenários de contextos e aos avanços tecnológicos.
Mas, ainda segundo Casagrande, o que deverá diferenciar a economia capixaba, possibilitando torná-la mais competitiva, inovadora e complexa, em destaque, está na capacidade de valer-se dos avanços tecnológicos e da inovação para produzir produtos ambiental e socialmente sustentáveis.
Mas, como a transição energética pode ajudar nessa tarefa? Primeiramente, devemos entender que o mundo estará, de forma crescente, exigindo e consumindo produtos que sejam produzidos de forma sustentável. E é onde e quando entra a energia limpa como insumo. Em linguagem mais direta, produzindo produtos ambiental e socialmente mais limpos. Seria, assim, o atributo da sustentabilidade o elemento diferenciador a atrair mercados.
A estratégia pensada, então, seria dizer ao mundo que produzimos energias limpas como a solar, eólica, hidrogênio verde e outras tantas; e mais que isso, que as incorporamos, por meio de tecnologias, novos conhecimentos e inovação, aos produtos que ofertamos aos mercados. Estamos falando aqui de produtos de uma economia que já se convenciona chamar de verde.
Nada que não seja possível e factível.