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Cenário

Crise é reflexo da extrema fragilidade da base de ancoragem da economia

A Bolsa de Valores está despencando, o dólar alto evadindo-se aos cântaros, o juro futuro subindo e o desemprego em alta. Esse é apenas um resumo dos últimos acontecimentos envolvendo a nossa economia

Publicado em 03 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 out 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Movimentação Bolsa de Valores, índice BOVESPA na Bolsa de Valores de São Paulo, mercado, ações, negócios
Bolsa de Valores brasileira tem sentido os efeitos da atual crise econômica Crédito: Bruno Rocha/Agência O Globo/ Arquivo AG
Muitos perguntam sobre o que está acontecendo com a economia brasileira neste momento, tendo em vista as turbulências que aumentaram nos últimos dias. A Bolsa de Valores está despencando, o dólar alto evadindo-se aos cântaros, o juro futuro subindo e o desemprego em alta. Esse é apenas um resumo dos últimos acontecimentos envolvendo a nossa economia. E a razão fundamental para isso tudo está na extrema fragilidade da base de ancoragem da nossa economia. Condição que bloqueia expectativas mais favoráveis.
Sobretudo nesta semana, a frustração maior vem do lado do governo ao propor movimentos que foram lidos e entendidos, especialmente pelo mercado, como de alto risco, com tendência de fragilizar ainda mais a já debilitada ancoragem fiscal no teto de gastos.
Como consequência desse movimento, até a Bolsa de Valores, que apesar da fuga em massa de capitais externos vinha sendo alimentada por investidores internos, em grande parte novatos, agora vê-se ameaçada pela maior atratividade do juro futuro em alta. Isso já antecipando que o próprio governo terá que pagar bem mais caro para cobrir os sucessivos e monstruosos déficits fiscais.
A fuga de dólares da nossa economia não deve ser imputada somente na pandemia. De alguma forma isso já vinha acontecendo. Aliás, nos últimos 12 meses, observamos o menor ingresso de capital do exterior desde 2010. Somente no mês de agosto, o ingresso de dinheiro externo caiu cerca de 85% em relação ao mesmo mês de 2019: de US$ 9,5 bilhões em 2019 para US$ 1,4 bilhão agora.
A estratégia do governo brasileiro prestigiando os Estados Unidos, inclusive com concessão de benefícios, caso do álcool, parece não estar surtindo os efeitos esperados. As exportações brasileiras para os EUA caíram 32% em 2020. Enquanto isso, as exportações para a China cresceram 6%.
Esperar recompensas e reciprocidades futuras como presume e apregoa o chanceler Ernesto Araújo parece-nos demasiadamente temeroso. Temos que ter em mente que a única coerência americana em termos de política de comércio externo é com o pragmatismo. E isso independentemente de quem ocupe o posto máximo, republicano ou democrata.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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