Soa paradoxal, por que não inusitado, o fato de o país contar hoje com 14,8 milhões de desocupados e, ao mesmo tempo, encontrar dificuldades em preencher novos postos de trabalho que se abrem. Uma realidade já observada e sentida por alguns setores que, com a retomada da economia, são agora demandados a aumentar suas produções. Empresários e especialistas já apontam para a perspectiva de ocorrência de um apagão de mão de obra mais qualificada.
O lado ruim desse desfecho está na constatação de que o país chega a esse ponto pelo descaso histórico com a educação, mas especialmente para a educação para o trabalho. Com novas exigências em termos de habilidades para o trabalho, consequência sobretudo da aceleração do processo de transformações tecnológicas e de inovações, a nova economia que vem emergindo não mais exige apenas habilidades do século XX, predominantemente de natureza mecânica.
Objetivamente, empresas estão encontrando dificuldade em contar com profissionais qualificados que as atendam. São profissionais com bom conhecimento técnico, mas principalmente que saibam operar novas ferramentas, além de possuir a capacidade de trabalhar em equipe, e que estejam preparados para a complexidade e a sofisticação crescentes do mundo digital. Condições essas ainda raramente presentes, por exemplo, em egressos do Ensino Médio do país.
Para um país como o Brasil, que já vem de um relativamente longo período de crise, acompanhado de queda de produtividade geral e perda de competitividade internacional, especialmente na indústria de transformação, torna-se mais urgente a efetivação de uma política educacional que atente para essas novas exigências. E o caminho mais curto para que se evite o apagão é focar os esforços e recursos no Ensino Médio. Mas, para isso é preciso que a reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017, com novos currículos, efetivamente seja implementada, para tanto, devendo contar ainda com o engajamento do setor empresarial.
Já são perceptíveis os indícios de que a economia mundial volte a crescer numa trajetória cíclica longa. O acionamento da demanda por commodities estratégicas sinaliza nessa direção. O que se espera e se deseja é que o Brasil possa integrar-se a esse ciclo de forma competitiva, não somente enquanto fornecedor de commodities, como acontece hoje, mas como uma economia próspera e que sirva para a construção de uma pais que se torne melhor para todos. E não há outro caminho a se seguir senão pela via da educação. Mas, de uma educação para uma nova economia e uma sociedade da era digital