Uma das maneiras de medirmos a saúde de uma economia é olharmos para a sua capacidade de investir produtivamente e de forma sustentável no tempo. É condição primordial e determinante para o crescimento e desenvolvimento de qualquer país, estado ou município.
Por essa ótica, ao analisarmos as economias brasileira e capixaba, vamos ver que as duas vêm apresentando desempenhos ruins, especialmente nos últimos dez anos. Aliás, muito abaixo de padrões recomendados para uma trajetória minimamente aceitável de crescimento. Principalmente em se tratando de um país com largo e diferenciado potencial. Fator que explica as baixas taxas de crescimento das duas economias. Mais acentuadamente para o Espírito Santo, mais afetado que foi pelas crises externas e internas.
Recentemente, o IBGE publicou dados relativos a investimentos produtivos, que os economistas denominam de FBCF- Formação Bruta de Capital Fixo, para todas as unidades da federação, para o ano de 2018. Naquele ano, o Espírito Santo investiu produtivamente cerca de R$ 19,3 bilhões, para um PIB de R$ 137,2 bilhões. Resultando numa taxa de investimento de 14%. Nesse mesmo ano o Brasil investiu o equivalente a 18% do PIB. Uma diferença que muito provavelmente nunca teria acontecido na sua história econômica nos últimos 40 anos.
Para termos uma ideia do quão longe estamos do recomendado basta observarmos o comportamento do mesmo indicador mundo afora. A China sempre esteve à frente, com uma média de 40%. Um ponto meio fora da curva ou reta. Mas vale comparar com a Coreia do Sul, com taxa de 30%. A média mundial tem ficado no entorno de 25%.
Em ranking nacional de taxas de investimento entre estados, nesse mesmo ano, o Espírito Santo postou-se na vigésima primeira posição. Fato que ajuda a explicar, por via de consequência e causalidade, a também queda no ranking das economias, situando-se na décima quarta colocação. Uma queda bem acentuada se tomarmos como base os anos áureos de 2010 e 2011 , quando a economia capixaba aparecia, respectivamente, na quinta e quarta posições. Graças, é importante que se reafirme, ao bom desempenho da extrativa mineral (minério de ferro e petróleo).
O quadro de recursos e usos publicado pelo IBGE possibilita-nos ainda observar setorialmente o perfil dos investimentos produtivos. A indústria de transformação e a indústria da construção foram responsáveis por 90% desses investimentos, com ligeira frente da primeira, com 47% (R$ 9,2 bilhões). Já a agricultura investiu 1,9%, acima da média nacional, que foi de 1,7%.
O que os números aqui expostos nos revelam, adicionando-se a outros que tenho expostos em artigos anteriores e recentes, é que o Espírito Santo precisa, com inteligência, habilidades e rapidez, “pavimentar” uma nova trajetória para a retomada da capacidade de investimento da economia.