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PIB

Economia do ES sofre de desautonomia relativa

Em verdade essa década em questão foi muito ruim para economia brasileira e mais ainda para a capixaba. Mas, em se tratando do ES, como tenho afirmado em vários dos meus textos aqui, temos que ter cautela em ler seus números

Publicado em 14 de Janeiro de 2023 às 00:05

Públicado em 

14 jan 2023 às 00:05
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Na semana passada, A Gazeta repercutiu dados, análises e comentários sobre o desempenho da economia estadual tomando como base o histórico do PIB per capita entre 2010 a e 2020. O questionamento centrou-se na constatação de que o PIB per capita do Espírito Santo teria sofrido uma queda de aproximadamente 21%, em termos reais, no período, enquanto que para o país o mesmo indicador teria variado positivamente em cerca de 2%. Em valores passou a postar-se abaixo da média nacional em 2020: 34,1 mil, contra 35,9 mil.
Em verdade essa década em questão foi muito ruim para economia brasileira e mais ainda para a economia capixaba. Uma evidência irrefutável. Mas, em se tratando de economia capixaba, como tenho afirmado em vários dos meus textos aqui, temos que ter cautela em ler seus números. Isso principalmente pelo fato de nossa economia apresentar uma abertura externa muito forte e acentuadamente vinculada à produção de commodities. E nesse caso temos o efeito preço externo e câmbio a provocar movimentos acentuados.
Eu diria que a nossa economia sofre de um fenômeno que podemos chamar de desautonomia relativa. Esse termo foi inventado pelo meu amigo Antônio Carlos Medeiros, que escreve no espaço ao lado, na sua dissertação de mestrado. Medeiros chamava a atenção ao levantar a hipótese de o Estado do Espírito Santo estar perdendo autonomia pelo fato de parte significativa das decisões econômicas ocorrerem fora do seu território.
Assim, podemos observar essa desautonomia numa perspectiva de mercados. Sobretudo mercados externos, onde somos tomadores de preços e câmbio. Sobre os quais não temos ingerência ou autonomia.
E isso provoca situações curiosas. Se tomarmos, por exemplo, como ponto de partida o ano de 2009 e não 2010 para avaliarmos as variações vamos encontrar números bem díspares. Com base em 2009, o PIB per capita do Espírito Santo caiu 7%. Já com base em 2010 a queda realmente foi de 20%.
Ou seja, dependendo da base que se toma, os números podem mudar muito e podem levar a erros de avaliação. Por que, então, os números são tão diferentes tomando-se bases diferentes? Por uma razão muito simples: o PIB capixaba caiu 7,6% em 2009 e cresceu 15% em 2010. Mas o que interessa mesmo é o que está por detrás desse salto.
Basta pegar apenas o setor Extrativa Mineral (petróleo e minério). Esse setor teve sua participação no PIB duplicada, passando de 9% em 2009 para 19% em 2010 e 26% em 2011. Voltou a 9% em 2020.
Não se nega, no entanto, que a nossa economia tenha tido um desempenho ruim. Mas é preciso dissecá-la para melhor compreende-la. Essa questão merecerá atenção em artigos subsequentes.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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