Especialmente grandes operadores de logística no país estão fazendo e refazendo cálculos para avaliar possíveis impactos nos seus custos decorrentes da reforma tributária que está na sua fase final de aprovação. Faz sentido pois os processos e critérios de escolhas das suas bases atuais tomaram como base alguma forma de incentivo relacionado ao ICMS. O receio, mais que o temor, é de que com o novo imposto, o IVA (Imposto sobre o Valor Adicionado), seja mais interessante localizar-se dentro de Estados de maior concentração do consumo.
A manter-se o que consta na proposta que se encontra no Senado, com o fim da cobrança do imposto na origem das mercadorias, com estas indo para o destino delas, o incentivo fiscal que até então atraía investimentos para o setor tenderia a perder força. O que não se sabe, no entanto, é como isso poderá vir a acontecer no tempo e em qual intensidade. Os cálculos é que poderão ajudar a clarear o que poderá ocorrer.
O jornal Valor, na sua edição de terça-feira (17), apresentou resultado de pesquisa realizada junto a operadores de logística pela empresa Ilos que indica que cerca de 78% deles consideram o tributo como decisivo nas atividades de logística. Avaliação que corrobora com evidências que indicam os Estados de Minas Gerais e Santa Catarina na liderança de benefícios fiscais para o setor. São Estados considerados líderes na “guerra fiscal”.
Mesmo com uma razoável janela de carência para efetivação completa da reforma tributária, as expectativas dos agentes operadores segundo a pesquisa Ilos nos mostram que cerca de 53% deles já sinalizam para o necessário “reposicionamento de centros de distribuição”. Em outras palavras, a perspectiva é de que mudanças ocorrerão na malha logística atual.
É importante registrar que são expectativas extraídas de um “estado da arte” que ainda está em formação. Ou seja, são expectativas de momento, que certamente podem estar enviesadas tanto pelo desconhecimento do que virá pela frente, quanto pelo “carry over” do passado recente.
Além do que, de um lado nem tudo está claro na reforma tributária, inclusive em termos de impactos nos custos logísticos. De outro, muitos cálculos terão que ser feitos e refeitos. Até porque temos que ter mente que outros fatores e variáveis deverão orientar e balizar tais cálculos. Só para citar alguns: custos de reposicionamentos versus investimentos incorridos e a amortizar; diferencial de externalidades econômicas positivas já consolidadas nas atuais bases de distribuição como mão de obra; instalações físicas; processos consolidados; dentre outras questões e especificidades locais.
Considero essa reflexão relevante para o Espírito Santo, que hoje desponta enquanto um “hub” comercial importante. Um polo logístico que conta com uma vasta rede de conexões internas e externas.