Responsável por ajudar a segurar uma queda maior do PIB em 2020, o agronegócio brasileiro deverá se manter como força propulsora em 2021. E isso graças sobretudo às exportações, impulsionadas principalmente pela retomada mais acelerada do que o esperado em economias como chinesa e americana. Mas também sinais positivos já podem ser detectados em países da Europa e restante da Ásia.
Internamente, isso significa mais riqueza circulando e provocando estímulos em “cadeia” para os demais setores da economia. Em estimativas feitas pela USP, no Centro Avançado em Economia Aplicada (CEPEA) da ESALQ, a contribuição do agronegócio no PIB chegou a 26,6% em 2020, ante 20,5% em 2019 e apenas 18,7% em 2014, no início do período de anos sucessivos de baixo crescimento.
Mas foi no período entre 1996 e 2003 que o agronegócio se firmou em patamares bem mais elevados, atingindo uma média de participação em torno de 31%, oscilando entre máximo de 35% e mínimo de 29%. Ou seja, cerca de um terço do total de riquezas do país teve origem nas atividades ligadas de alguma forma ao campo.
Não é, todavia, o que expressam as contas nacionais. Que trata o setor agropecuário no conceito “produção dentro da porteira". Lá, o chamado setor primário responde por apenas 6% das riquezas produzidas. É aqui que entra a necessidade de entendermos melhor o alcance das atividades envolvidas na produção de riquezas do agronegócio. Na verdade, vai muito além das rígidas fronteiras que delimitam os espaços dos tradicionais setores econômicos, cuja base conceitual e metodologia de cálculo remontam ainda da década de quarenta do século passado.
Se bem observarmos, cada vez mais as atividades do agronegócio incorporam novos conhecimentos, inovações, sofisticação e complexidade tecnológica, serviços especializados, processos industriais e acionamento de atividades tipicamente urbanas. Temos aí a origem de uma dinâmica territorial bem própria: a criação de espaço de atividades que podemos denominar de “rurbano” ou de atividades “rurbanas”.
Aliás, um fenômeno que explica em grande medida o crescimento de cidades onde o agronegócio tem protagonismo e cresce. As cidades se transformam em centros especializados no provimento de diversos serviços. Isso porque o espaço urbano dispõe de maior versatilidade na criação de externalidade que contribui para a redução nos custos das transações, interações nos negócios e acessos a conhecimentos, qualificação de pessoas, tecnologias e informações.