Não tenho bola de cristal que me possibilita antecipar o que sairá das urnas neste domingo (30). Muito mais ainda em razão da distância temporal que separa o momento em que escrevo este artigo e os sucessivos momentos nos quais cada cidadão depositará o seu voto nas urnas.
Mais uma razão para sustentar que pesquisas eleitorais não são feitas com o propósito de antecipar resultados, mas sim apontar tendências. O certo é que ao final da tarde do dia 30 de outubro o dado já estará lançado e em poucas horas saberemos o resultado.
Simbolicamente, o cenário político do pleito que se finda neste domingo parece-nos aproximar-se à imagem de um campo de batalha onde dois exércitos buscam a vitória a qualquer custo. Algo que me faz vir à memória a célebre frase atribuída ao imperador romano Júlio Cesar ao atravessar o rio Rubicão que separava a Itália do domínio gaulês, ao norte: "Alea iacta est" – o dado está lançado. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira travessia e o que nos interessa agora é poder minimamente decifrar possíveis cenários com os quais nos depararemos do lado de lá.
No campo da economia, o palco para as apostas está aberto. A escalada dos movimentos do mercado financeiro, até esta última sexta feira, por exemplo, é de antecipar-se ao máximo o que poderá ocorrer no “day after”, dia 31. E nesse aspecto, se na semana passada a bolsa reagiu positivamente à lufada de vento pró-Bolsonaro, motivada pela redução da distância em relação a Lula registrada pelas pesquisas, nesta semana temos o efeito Roberto Jefferson a provocar efeito inverso. O Ibovespa caiu 3,27% e o dólar subiu 3% neste segunda-feira, 24/10.
O que o mercado fez dia 24 nos dá a dimensão do efeito-risco que vem embutido no custo eleitoral. Quem apostou na direção de Bolsonaro na semana passada, ganhando posições, desfez-se de suas apostas nesta segunda num movimento de realização de lucros. É fácil prever que estaremos qual prisioneiros nessa “gangorra” até nesta sexta, alimentados sobretudo pelo que as pesquisas poderão captar e indicar até lá. Ressalvando-se ainda o fato de que escrevo o presente artigo antes da ocorrência do debate final de sexta-feira (28), na Globo, que também poderá colocar novos ingredientes no cenário político.
Não é preciso ter bola de cristal para se saber como estará o mercado no “day after”. Já tivemos um primeiro ensaio ocorrido no dia 24/10, já com os efeitos do episódio Jefferson. Porém, não é no curto prazo que as nossas preocupações devem estar centradas, mas sim no médio e longo. Isso porque diz respeito ao futuro do país. Até agora, porém, nenhum dos pretendentes ao cargo máximo do país postaram suas âncoras para além do dia 30.
No curto prazo, as coisas tendem a se ajustar, mesmo assim, a depender do resultado final do pleito, é possível que tenhamos dias de tumultos, greves e ações mais radicais de contestação. No entanto, o que se espera e acreditamos aconteça é de que prevaleçam a democracia e as instituições que a sustentam.