As commodities sempre desempenharam papel importante, e muitas vezes até crucial, na dinâmica geral da economia brasileira. Diríamos que ainda mais cruciais em anos mais recentes, quando percebemos o desenrolar de um processo de commoditização crescente, porém, agora, acontecendo concomitantemente a um recuo relativo nas atividades industriais. Fenômeno este comumente denominado de desindustrialização.
Esse fenômeno tem seu lado bom na medida em que aciona internamente um conjunto de cadeias produtivas, que disparam efeitos e impactos ajudando a economia por meio de investimentos, geração de riqueza, emprego, renda, desenvolvimento tecnológico e inovação. Além disso, robustece as contas externas com superávits, que funcionam como amortecedores de potenciais riscos vindos do exterior. Porém, esses efeitos positivos têm disseminação limitada territorialmente e no tecido produtivo.
No entanto, essa categoria especial de bens carrega sempre uma razoável carga de risco, pois se mostram muito sensíveis sobretudo às turbulências de natureza geopolítica, de conflitos bélicos ou decorrentes de eventos de alto impacto e disseminados territorialmente como o da Covid-19. Temos esses três elementos operando simultaneamente e provocando entre várias consequências uma escalada inflacionária disseminada globalmente e da qual não há como se escapar.
Ou seja, se de um lado as commodities nos ajudam a trazer dinheiro de fora para dentro, de outro, internamente, fazem diminuir o poder de compra do cidadão comum que tem que pagar mais caro pelo combustíveis que consome, pele energia, pelo gás, pelos alimentos em geral e por uma infinidade de produtos e serviços. Esse é o lado ruim.
Mas esse é um lado ruim que, paradoxalmente, vem ajudando os governos do lado das suas contas. Preços altos de certas commodities, principalmente como petróleo, seus derivados e energia, engordam as receitas. Assim, são beneficiados pela incidência de impostos sobre bases de cálculo inflacionadas.
Dizem que governos algumas vezes até gostam de inflação, pois podem se beneficiar do que os economistas chamam de imposto inflacionário. Além, é claro, de ajudar a esconder deficiências e ineficiências da máquina pública. Ou alguém, ingenuamente ou inocentemente, acredita que atuais superávits primários sejam resultantes de incrementos de produtividade e/ou de eficiência nas gestões?