Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crise

O que Bolsonaro fez com a Petrobras pode se transformar em tiro no pé

Populismo barato poderá lhe custar caro. Aliás, como já se mostra caro também para todos nós brasileiros

Publicado em 27 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

27 fev 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Sede da Petrobrás na Reta da Penha
Sede da Petrobrás na Reta da Penha Crédito: Vitor Jubini
O que Bolsonaro fez com a Petrobras, e tudo indica que continuará fazendo o mesmo em outras frentes, além de tiro no que talvez sobrasse de inspiração liberal e liberalizante do seu governo, pode se transformar em tiro no pé nas suas supostas pretensões, se é que elas existem, de colocar o Brasil na rota do crescimento e do desenvolvimento. Um populismo barato que poderá lhe custar caro. Aliás, como já se mostra caro também para todos nós brasileiros.
Sabemos o que acontece quando o país é enredado por arroubos de populismo. Foi o que aconteceu no primeiro governo de Dilma Rousseff, quando ao seu final, para vencer as eleições em 2014, passou a interferir diretamente nos preços de energia e combustível. O resultado foi uma “baita” crise nos anos seguintes, com inflação, juros e dólar disparando, a economia caindo e desemprego crescendo.
Agora, Bolsonaro resolve repetir a dose, para desespero de muitos e não somente de “poucos” privilegiados, como ele próprio afirma. Num duro golpe, somente as estatais federais perderam em dois dias cerca de 111 bilhões de reais de valor de mercado. E isso afeta muita gente, pois não podemos esquecer que temos hoje muitos pequenos investidores, alguns indiretamente através, por exemplo, de fundos de pensão que detém nos seus portfólios ações de estatais.
Amarga ilusão imaginar que descolando os preços dos combustíveis do câmbio resolve-se o problema. Ao contrário, escancara-se outro grande problema que se apresenta sob a forma de pressão das expectativas em torno do risco fiscal e da credibilidade externa. O sintoma mais imediato vem pela via do câmbio, que já disparou. Cria-se assim terreno fértil para uma aceleração geral dos preços. Nem é preciso dizer o que virá em seguida. Basta recordarmos de 2015 e 2016.
Idêntico cenário pode estar em curso também no setor de energia, como já sinalizado pelo próprio presidente. O mercado já reagiu fazendo minguar o valor de mercado da Eletrobras. Para quem ainda acreditava em sua privatização, mais uma ilusão.
Por ironia do destino, Bolsonaro e o PT de Dilma nunca ficaram tão próximos. Mais que isso, só convidando Guido Mantega para assumir o Ministério da Economia, trazendo o seu desenvolvimentismo de volta. Resta esperar novas surpresas. Aliás, nem surpresas serão mais, pois os sinais já estão explícitos.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Gabriela Sartório morreu após ser atropelada enquanto pedalava
Morre ciclista atropelada por motorista que confessou ter bebido em Vitória
Aplicativos sugerem investimentos, mas decisões podem ser influenciadas por taxas, comissões e algoritmos
O mercado não é seu amigo: quem ganha antes de você com seus investimentos
A WN7 é o primeiro modelo elétrico de grande porte da Honda.
Moto elétrica da Honda é premiada como melhor design de produto

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados