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Orlando Caliman

Portos são a salvação e a derrocada da economia capixaba

Aquilo que entendemos ser a nossa maior fortaleza está se transformando em nossa maior fraqueza

Publicado em 10 de Abril de 2019 às 23:49

Públicado em 

10 abr 2019 às 23:49
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Sem logística, complexo portuário capixaba está perdendo espaço Crédito: Carlos Alberto Silva
Portos desempenharam papel importante, senão decisivo, no processo de desenvolvimento da economia capixaba. Muniz Freire, governador no final do século 19, já vislumbrando como poderia ser o futuro da nossa economia, projetava uma logística integradora assentada em ferrovia e porto. Uma parte do seu sonho ele mesmo a realizou ao implantar a ferrovia de ligação entre Vitória e Cachoeiro de Itapemirim, e, na sequência, um primeiro trecho da ferrovia Vitória a Minas, chegando inicialmente até Colatina, em 1906.
No entanto, o seu sonho de transformação de Vitória em metrópole aberta ao mundo exterior somente ganhou ares de realidade gradualmente. Inicialmente com o Porto de Vitória, com a exportação de café; e a partir de 1942, com o minério de ferro exportado pela Vale. Mesmo assim, o evento que faz mudar efetivamente o perfil da economia, ainda “provinciano” e pouco diversificado no início da década de 1960, está relacionado à instalação do Porto de Tubarão.
É quanto se ganha escala e se projetam novas potencialidades e oportunidades, que foram concretizadas em outros portos e projetos, como Ubu, Praia Mole e Barra do Riacho, na figura de empresas como CST (hoje ArcelorMittal), Samarco e Aracruz Celulose.
Hoje, o sistema portuário capixaba movimenta aproximadamente 142 milhões de toneladas, constituindo-se no maior complexo portuário do país em volume de carga transportada. Ou seja, somos verdadeiramente competitivos nesse aspecto. Porém, ainda como reflexo do gargalo logístico, o Espírito Santo sofre no momento com a ameaça concreta de perda de competitividade em operações portuárias, especialmente na movimentação de cargas conteinerizadas. Isso porque vários produtos capixabas destinados à exportação estão se deslocando para outros portos. É o caso de café, carnes, frutas e, inclusive, granito. E não podemos esquecer das importações.
Comparações nos ajudam a avaliar a situação. E vale recorrer ao que julgamos ser hoje exemplo de “benchmarking” em termos de competitividade portuária: o Estado de Santa Catarina. Esse ente dispõe de cinco portos que operam contêineres, movimentando, em 2018, cerca de 1,8 milhão de TEUs – unidade equivalente a um contêiner -, representando 18% da movimentação total do país. No Espírito Santo, a movimentação de contêineres em 2018 foi de apenas 210 mil, 2,1% do total nacional.
A conclusão que podemos chegar é a de que aquilo que entendemos ser a nossa maior fortaleza, em razão do fato de dispormos de um eficiente sistema portuário, na verdade vem se transformando em nossa maior fraqueza. Eis, portanto, um grande desafio a ser enfrentando pelo nosso Espírito Santo: portos.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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