Estudos comparativos sobre fatores que explicam e determinam os diferentes níveis de desenvolvimento entre países nos mostram, com evidente robustez, a educação com grande destaque. Em séries históricas do PIB per capita, que compõe a riqueza média apropriada anualmente por cada cidadão, anos de estudo correlacionam-se em forte relação de causalidade. Quanto mais anos de estudo, mais cresce o PIB per capita.
Essa relação virtuosa, no entanto, vem caracterizando-se como cada vez mais exigente em termos de demandas por mais educação. E não se trata de qualquer educação. Além da qualidade deve estar centrada no que sinalizam e determinam os avanços tecnológicos e as transformações inovadoras em curso.
Ou seja, uma educação cada vez mais voltada para um trabalho em crescentes mutações. E um trabalho mais exigente em complexidade e sofisticação, demandante de mais conhecimentos acumulados e suas aplicações na produção de riquezas.
Mas, numa perspectiva de desenvolvimento econômico, que passa necessariamente por tornar os processos produtivos mais complexos e sofisticados, há uma outra relação que não podemos perder de vista que é a associação entre conhecimento e o como aplicá-lo ou o como fazer. E nesse aspecto a língua inglesa nos oferece uma compreensão melhor entre esses dois termos: De um lado o “knowledge”, o conhecimento, e de outro, seu necessário associado, o “know-how” – o como fazer.
O formulador da teoria da complexidade econômica, o professor e pesquisador de Harvard Ricardo Hausmann, define know-how como aquela competência de se fazer “coisas” que somente podem ser feitas coletivamente. É o que ele chama de “know-how” coletivo. E mais, que esse “como fazer“ localiza-se em cérebros que se interconectam. O grande segredo, ainda segundo Hausmann, está na integração e interação entre conhecimento e o “como fazer”, ou seja, entre knowledge e know-how.
Assim, um produto mais complexo, mais competitivo e menos ubíquo – que poucos o produzem – requer cérebros com conhecimentos e know-how mais avançados. E isso em intensidade e velocidade crescentes.
Para que isso de fato aconteça é preciso que se disponha de um bom, de preferência em nível de excelência, portanto, diferenciado, sistema educacional, e uma forte conexão e integração entre quem produz e estoca conhecimento, as instituições de ensino e pesquisa, e quem se encontra no front do “know-how. Não há outro caminho. E esse é o caminho a ser seguido pelo Espírito Santo.