O PIB capixaba atingirá neste ano a cifra de cerca de R$ 222 bilhões, segundo estimativa do PIB trimestral feita pelo Instituto Jones dos Santos Neves e o IBGE. Mas, mais do que o valor absoluto, interessa-nos a sua evolução. Não tenho dúvida de que a nossa economia voltará a crescer acima da média observada para o país.
Enquanto em nível nacional a média de crescimento deverá fechar no entorno de 3%, no Espírito Santo poderá chegar a mais de 4%. Isso tomando-se como referência o fato de no acumulado do ano, ou seja, nos três trimestres, o PIB capixaba já ter atingido 4,4%.
Tomando como base os dados divulgados pelo IJSN podemos identificar sinalizações relevantes. De um lado vindo dos setores de serviços e comércio varejista, respectivamente com incrementos acumulados até o terceiro trimestre de 7,6% e 10%; com os dois representando cerca de 58% do total.
De outro, da indústria com 7,6% de crescimento no mesmo período, sobretudo contando com a ajuda da indústria extrativa mineral, com a evolução de 17%. A sinalização ruim vem da indústria de transformação, com queda de 6,9%. Uma sinalização preocupante.
Mas há algo de novo na economia capixaba a comemorar, embora ainda não refletido nos números da economia deste ano. Refiro-me ao evento da inauguração da planta industrial de briquetes de minério de ferro pela Vale. Uma nova forma de produzir aglomerado de minério de ferro que poderá provocar uma verdadeira revolução na cadeia produtiva da siderurgia. Um produto com os pés na economia verde e na neoindustrialização.
Pensando “grande”, se a Vale com Tubarão na década de 60 abriu o horizonte para a escalabilidade da economia capixaba, pois possibilitou a passagem de uma economia de “pés descalços” para um economia urbano-industrial aberta ao mundo, agora poderá ajudar o estado a abrir uma “fresta” de janela de oportunidades a possibilitar o ingresso do Espírito Santo na nova onda do “greenshoring”.
Greenshoring passou a ser uma expressão utilizada para designar novas bases globais de suprimento de produtos classificáveis como “verdes”, ou seja, cujos processos produtivos podem contar com saldos zerados ou minimizados em termos de emissões de gazes de efeito estufa. O Espírito Santo, por já contar com fortes conexões internacionais, pode candidatar-se a ocupar essa “fresta”, numa perspectiva de transformar-se em “janela”.
Assim como Tubarão foi o “novo” lá atrás, o briquete pode conter o simbolismo do “novo” que nasce da velha economia que nos trouxe até aqui. Trata-se de um “novo” com grande potencial de integrar-se à perspectiva de novas fontes de energéticas, entre as quais hidrogênio verde. E para o Espírito Santo abre-se a oportunidade de dizer ao mundo que, além de produzir energia limpa, dela fará uso para produzir produtos mais limpos.