A temperatura da Terra vem registrando aumentos históricos nas últimas décadas. De acordo com dados da Agência Espacial Norte-americana (Nasa) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a temperatura média do planeta foi de 14,7° em 2021, o sexto maior valor da série histórica.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que em 2022 a temperatura global ficou 1,15° acima da média da era pré-industrial. Pode parecer pouco, mas o aumento cumulativo da temperatura média da Terra impacta no derretimento de geleiras, elevação do nível dos oceanos, avanço do mar sobre cidades e vilas, intensificação de eventos climáticos extremos e desequilíbrio ecológico que pode levar à extinção de espécies.
Não há dúvida de que o aquecimento global representa uma ameaça à existência da humanidade e outros seres vivos. A questão em aberto é como o homem pode implementar estratégias para reduzir seu impacto no planeta, como a diminuição da emissão de poluentes na atmosfera, especialmente os Gases do Efeito Estufa (GEE), o desmatamento, as queimadas de florestas e a poluição de recursos hídricos, mitigando assim os efeitos no aquecimento global.
Movidos pelo propósito de controlar o aquecimento global e amenizar as mudanças climáticas, mais de cem países participaram da 27ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) que aconteceu no Egito em novembro 2022.
As principais constatações da COP27 sinalizam que a utilização dos combustíveis fósseis está potencializando o aquecimento global. Manter a temperatura do planeta em até 1,5° acima da média da era pré-industrial seria um parâmetro de segurança. Todavia, a probabilidade desse valor ser superado entre 2023 e 2027 é de 66%.
Para respeitar esse limite de segurança é essencial o comprometimento dos países em reduzir as emissões dos GEEs pela metade até 2030 e em 99% até 2050, dentre outras ações. Para isso, as nações devem implementar estratégias para promover a ampliação de fontes renováveis na composição de uma matriz energética limpa e a transição para economia de baixo carbono.
Nessa perspectiva, as práticas ambientais, sociais e de governança corporativa (Environmental, Social and corporate Governance - ESG, em inglês) constituem um caminho para a mitigação das causas do aquecimento global. Esse conceito pode ser entendido como um conjunto de ações e boas práticas que buscam evidenciar governos, empresas e organizações que atuam de forma responsável no caminho da sustentabilidade, com comprometimento com a redução dos GEEs, gerenciamento de energias limpas, reflorestamento, direitos humanos, relações comunitárias, inovação e ética de negócios.
Com o objetivo de debater as práticas ESG e outras tendências do século XXI, nesta semana acontece o encontro “Sustentabilidade Capixaba” na Praça do Papa, em Vitória. O evento conta com uma rica programação com a presença de quatro governadores (ES, MS, PA e PR), mais de 45 especialistas, cerca de 50 empresas e aproximadamente 100 municípios representados.
Eventos como esse ampliam a conscientização por parte da sociedade de que todos nós podemos colaborar e contribuir para impulsionar práticas sustentáveis e mitigar o aquecimento global.