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Censo demográfico

Collornaro: presidentes que torturaram o bom senso e a verdade

A afinidade entre Fernando Collor e Jair Bolsonaro vai além da identidade político-partidária, ambos desprezaram a relevância do censo e da ciência, o que explica em parte a mediocridade de seus governos

Publicado em 10 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

10 ago 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

pabloslira@gmail.com

Em 1936, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de sua constituição, passou a coordenar a realização decenal do censo.
Somente em 1990 e 2020, o censo não foi realizado conforme programado. Nesses dois anos o descaso e irresponsabilidade do governo federal com a mais importante pesquisa demográfica do país foram fatores determinantes para a protelação da coleta das informações.
Em 1990, a visão míope economicista do governo Fernando Collor sobre o enxugamento e eficiência da máquina pública estabeleceu a diretriz de reduzir o quadro de servidores públicos. O IBGE não ficou livre dessa diretriz que buscava enxugar o quadro de servidores públicos sem critérios claros e técnicos, mais um verdadeiro disparate do governo Collor. A contratação das equipes do censo somente foi autorizada em julho de 1990, ou seja, quando não havia mais tempo hábil para se realizar a pesquisa.
Insta salientar que em 1990 o país estava mergulhado em uma grave crise político-econômica. Em março daquele ano o governo Collor operou a “geniosa”, para não dizer estapafúrdia e indecorosa, estratégia de confiscar a poupança bancária dos brasileiros, com o suposto intuito de controlar a hiperinflação da época. Além de não alcançar tal propósito acirrou ainda mais a crise brasileira, gerando severos impactos para o país, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Depois de três décadas, quis o destino que o Brasil estivesse sob a liderança de mais um presidente que despreza a relevância do censo e da ciência na gestão pública. Em 2020, o governo Jair Bolsonaro se escondeu atrás da desculpa da pandemia para não realizar o censo conforme a programação decenal da pesquisa.
De fato, o mundo ainda estava conhecendo os desafios impostos pela pandemia da Covid-19. Todavia, já em 2019 o ministro Paulo Guedes, o então todo poderoso “posto Ipiranga”, hoje relegado ao papel de lojinha de conveniência, mostrou desdém ao censo quando ironizou que “se perguntar demais, você vai acabar descobrindo coisa que nem queria saber”. No contexto que essa afirmação foi registrada, o ministro recomendava a redução do número de questões na pesquisa com o objetivo imediatista e economicista de enxugar os recursos financeiros para a efetivação da mesma.
De toda forma, a pesquisa foi adiada para 2021, quando deveria acontecer com adequação e respeito aos protocolos de segurança em uma modalidade híbrida, com levantamento de dados presencial, por telefone e meio virtual. Estava prevista a contratação de mais de 200 mil profissionais para a equipe do censo, o que garantiria geração de renda e vagas de trabalho, mesmo que temporárias, para um grupo significativo de pessoas que percorreria os mais de 5.500 municípios brasileiros.
Por parte do IBGE, tudo estava devidamente planejado para acontecer, entretanto, o governo Bolsonaro continuou negligenciando a importância do censo. O orçamento inicial necessário para a realização do censo seria de cerca de R$ 3,4 bilhões. Por pressão do governo o orçamento encolheu para R$ 2 bilhões. O valor foi desidratado para ser redistribuído para emendas parlamentares, um claro exemplo da caquética política do “toma lá, dá cá” do presidente Bolsonaro.
Por fim, ficaram reservados somente R$ 71 milhões para o censo, o que inviabilizou sua realização. Chegou ao ponto do Supremo Tribunal Federal (STF) ter que determinar que o governo adotasse as medidas administrativas e legislativas necessárias para a realização do censo demográfico em 2022. A não realização do censo representa uma ameaça à Constituição e prejuízo às políticas públicas.
A negligência e o descaso dos governos Collor e Bolsonaro com o censo e a ciência comprometeram a elaboração, implementação e aprimoramento de políticas públicas que teriam potencial de melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. A afinidade entre Fernando Collor e Jair Bolsonaro vai além da identidade político-partidária, ambos desprezaram a relevância do censo e da ciência, o que explica em parte a mediocridade de seus governos.
Assim, passamos a compreender como um país rico, como o Brasil, anda para trás quando é governado por presidentes que são descompromissados com os preceitos democráticos e republicanos e valores da ciência. A ciência é um catalisador para o desenvolvimento e progresso das nações.
Adaptando as sábias palavras de Mario Quintana para o Brasil contemporâneo, concluímos que todos esses péssimos presidentes que aí estão, como Collor e Bolsonaro, atravancando o nosso caminho. Eles passarão... e nós, brasileiros, passarinho!

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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