O Brasil contabilizou uma taxa de desocupação de 6,9% no 2º trimestre de 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Com base nessa referência, 16 Unidades da Federação (UFs) contabilizaram taxas acima da média nacional. Pernambuco (11,5%), Bahia (11,1%) e Distrito Federal (9,7%) foram as UFs com os mais elevados níveis de desocupação. As menores taxas foram computadas em Santa Catarina (3,2%), Rondônia (3,3%) e Mato Grosso (3,3%) (ver figura).
O Espírito Santo apresentou a 7ª menor taxa de desocupação (4,5%) entre os estados brasileiros e a menor taxa da região Sudeste, destacando-se em uma condição melhor do que importantes estados, tais como Goiás (5,2%), Minas Gerais (5,3%), Rio Grande do Sul (5,9%), São Paulo (6,4%) e Rio de Janeiro (9,6%).
A mencionada taxa capixaba foi a menor registrada em toda a série histórica da PNADC/IBGE, que se iniciou no 1º trimestre de 2012. Se considerarmos outras bases de informações sobre o mercado de trabalho combinadas com análises de conjuntura a partir de variáveis socioeconômicas (pobreza, miséria, renda, inflação, dentre outros indicadores), é possível apontar que o nível de desocupação do Espírito Santo é o menor desde a década de 1980.
A literatura especializada de medidas macroeconômicos assinala que o pleno emprego é alcançado quando uma economia passa a apresentar e manter baixas taxas de desemprego. Alguns estudos tentam delimitar a situação de pleno emprego quando as taxas ficam abaixo de 6% ou 3%. Nessa situação, as baixas taxas podem ser explicadas pelo desemprego friccional, que ocorre quando o indivíduo sai temporariamente de um trabalho para encontrar outro.
A caracterização do pleno emprego é complexa, pois também depende de outras condições para podermos afirmar que uma economia o alcançou ou não, como por exemplo, os graus de informalidade, subutilização, renda e qualificação.
De toda forma, é possível assinalar que o Espírito Santo e outros estados com baixas taxas de desocupação estão caminhando para uma condição de pleno emprego, o que acende um alerta para a necessidade do poder público, setor produtivo, Federações e Sistema S reforçarem a integração para compatibilizar as especificidades regionalmente da demanda e oferta no mercado de trabalho, objetivando a mitigação de eventuais dificuldades de acesso à mão de obra qualificada em segmentos econômicos que estejam mais aquecidos.