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Economia

É possível o Brasil salvar a atual década

Os decênios de 1980 e 2010 foram marcados por severos problemas socioeconômicos, duas décadas perdidas. É possível o país virar o jogo e salvar a atual

Publicado em 28 de Dezembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

28 dez 2022 às 00:05
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

pabloslira@gmail.com

Nos últimos 40 anos, o Brasil teve duas décadas perdidas. Os decênios de 1980 e 2010 foram marcados por severos problemas socioeconômicos. Mesmo que não na mesma intensidade, parte desses problemas retornaram ao cotidiano dos brasileiros nos últimos anos. Estamos nos aproximando da metade da década de 2020.
É possível o país virar o jogo e salvar a atual década. Para isso, é importante aprender com os erros do passado para implementar ações estratégicas no presente de reconstrução nacional e projetar um futuro com mais tolerância, humanidade, oportunidades e sustentabilidade.
Em um cenário de hiperinflação, instabilidade monetária, elevada pobreza e insegurança alimentar, a década de 1980 ficou estigmatizada pela retração econômica. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analisados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), naquele decênio o PIB per capita do país apresentou uma redução de 0,6%.
Trinta anos depois, a década de 2010 foi iniciada com muita esperança. O Brasil vinha de uma época marcada pelo equilíbrio nas contas públicas, com superávit primário, o país tinha selo de bom pagador nas principais agências internacionais de riscos, os programas sociais contribuíam para reduzir as desigualdades e mitigar problemas sociais históricos, como a fome, pobreza e déficit habitacional, a inflação era monitorada a partir do regime de metas e a taxa de juros também seguia controlada. Entre 2001 e 2010, o PIB per capita nacional cresceu 2,5%.
Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 (em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 3,9%)
Crédito: José Carlos Daves/Agência F8/Folhapress
Porém, na metade da década de 2010 o país mergulhou em uma crise político-econômica, cujos condicionantes estavam predominantemente ligados a fatores do contexto interno. Por conta de alterações mal fundamentadas na política macroeconômica, as contas públicas se deterioraram passando para uma situação de déficit primário, perdemos o selo de bom pagador no mercado mundial, a inflação (IPCA) voltou a subir a um patamar de dois dígitos e a taxa de juros (Selic) também seguiu tal tendência.
Com tantas adversidades na perspectiva econômica, os programas sociais começaram a perder força. Além disso, uma crise política se estabeleceu no plano federal, gerando ainda mais instabilidades e incertezas.
Em uma espécie de governo tampão, entre parte de 2016 até o final de 2018, a inflação e taxa de juros voltaram a ser controladas por conta de ações estratégicas adotadas pela equipe econômica do governo federal. Mesmo tendo um crescimento baixo, o PIB voltou a apresentar crescimento positivo, trazendo uma esperança momentânea.
Em 2019 a inflação começou a sinalizar tendência de aumento e em 2020 os efeitos da pandemia impactaram negativamente as condições socioeconômicas. A combinação desses aspectos resultou na segunda década perdida dos últimos 40 anos. Entre 2011 e 2020, o PIB per capita brasileiro voltou a registrar uma diminuição de 0,6%.
De acordo com o Banco Central, a taxa de crescimento do PIB do Brasil para 2022 provavelmente ficará próximo de 3,0%. Para 2023, a expectativa é bem menos otimista, ou seja, tímida elevação de 0,8%. A deterioração dessa expectava ocorre devido à atual conjuntura. A inflação está em 5,6%, acima do teto da meta (5,0%), e a taxa de juros permanece em 13,7%.
Desde 2020, o governo federal vem estourando o teto de gastos, o que tende a comprometer ainda mais o equilíbrio nas contas públicas. Além disso, nos últimos anos, problemas sociais históricos voltaram a impactar a vida de milhões de brasileiros, como a fome, extrema pobreza e pobreza. Para fazer frente a essas adversidades o governo federal vai furar o teto de gastos novamente em 2023 para garantir uma maior robustez nos programas sociais.
No plano internacional, as principais economias vivem certa apreensão em relação a uma possível recessão. O prolongamento dos tristes episódios da guerra da Ucrânia engendra mais incertezas e adversidades para os próximos anos.
O novo ano começa com esse conjunto de incertezas e adversidades. Vai exigir do novo governo federal muita capacidade de formulação, para planejar e implementar as ações estruturais necessárias para a reconstrução do país, e de diálogo e negociação, para distensionar as relações entre os poderes republicanos, que foram abaladas pela onda de radicalização e intolerância que se estabeleceu ao longo dos últimos anos.
Com muita esperança no processo de reconstrução do Brasil, desejo aos leitores um 2023 iluminado!

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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