A economia do Espírito Santo finalizou 2023 com crescimento significativo comparado ao ano anterior. O Produto Interno Bruto (PIB) capixaba avançou +5,7%, praticamente duas vezes superior à média do Brasil (+2,9%), de acordo com os dados divulgados na última semana pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Atividades da indústria, comércio, serviço e agropecuária contribuíram para o bom momento do Estado, que destaca resultados acima da média dos estados brasileiros na grande maioria dos segmentos econômicos.
A indústria geral capixaba evidenciou expansão de +11,1% em 2023, o segundo melhor desempenho entre os estados pesquisados pelo IBGE, conforme já abordamos neste espaço de A Gazeta. A indústria extrativa teve aumento de +20,5%, com destaque para as cadeias produtivas de petróleo e mineração. A indústria de transformação apresentou recuo de -3,6%, influenciado pela fabricação de produtos de minerais não metálicos (-12,7%) e metalurgia (-4,2%). Tais resultados foram contrabalanceados pelos aumentos na fabricação de celulose e papel (+9,4%) e de produtos alimentícios (+0,6%).
O comércio varejista ampliado no ES computou crescimento de +9,3%, resultado acima da média brasileira (+2,4%). A variação positiva do estado foi puxada pelos segmentos de veículos, motocicletas, partes e peças (+23,5%), material de construção (+13,6%) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (+6,7). O varejo restrito assinalou ampliação de +3,0%, também acima da média brasileira (+1,7%). O desempenho capixaba foi influenciado principalmente pelas atividades de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+6,6%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+6,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (+1,2%).
Os serviços registraram expansão de +7,0% no Espírito Santo, esse aumento também superou a média do país (+2,3%). A variação percentual capixaba foi influenciada pelos serviços profissionais, administrativos e complementares (+9,7%), transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (+9,3%) e serviços de informação e comunicação (+5,9%).
O crescimento do PIB do ES somente não foi maior por conta das atividades do setor primário. A safra anual de café arábica (-24,7%), café conilon (-11,1%), mamão (-17,5%) e cana-de-açúcar (-0,5%) apresentaram variação negativa. O arábica passou por um ano de bienalidade de baixa e assim como o conilon também sofreu com intempéries climáticas. Por outro lado, seis das dez principais culturas agrícolas capixabas contabilizaram ampliação, a saber, cacau (+11,7%), coco (+8,3%), mandioca (+4,2%), pimenta-do-reino (+3,2%), banana (+2,9%) e tomate (+0,4%).
Insta salientar que a agropecuária, a indústria e o comércio & serviços respondem, respectivamente, por 4,5%, 38,3% e 57,2% da economia do Espírito Santo, segundo dados do PIB estadual de 2021.
Constatamos que o Espírito Santo vive um cenário muito positivo na perspectiva socioeconômica, com crescimento expressivo em setores importantes, redução na taxa de desemprego ao seu menor nível da série histórica, aumento da renda média do trabalho, atração de investimentos e equilíbrio consolidado das contas públicas combinado com o desenvolvimento de políticas sociais relevantes, como o QualificarES, Centros de Referência da Juventudes (CRJs), Bolsa Capixaba, dentre outras ações.
A partir dessa análise baseada em evidências científicas podemos compreender melhor alguns condicionantes que possibilitam o ES apresentar um avanço do PIB que é quase o dobro da média nacional. De fato, o Espírito Santo vive um momento diferenciado de sua história econômica e social, com potencial para continuar se desenvolvendo nos próximos anos.