No último 12 de agosto, o Brasil perdeu um ícone da dramaturgia. Tarcísio Meira, com 85 anos de idade, não resistiu às complicações da Covid-19. Mesmo tendo completado o esquema vacinal, o ator desenvolveu a forma mais grave da doença.
A maioria dos brasileiros se comoveu com a irreparável perda do artista. Entretanto, os grupos de alienados que compartilham diariamente ódio, mentiras descaradas e desinformação na internet se encarregaram de produzir e difundir fake news sobre a eficácia das vacinas contra a Covid-19.
Após o falecimento do ator, em questão de horas já circulavam nas redes sociais postagens que distorciam a eficácia dos imunizantes. As referidas postagens mentirosas associavam a morte à suposta ineficácia das vacinas. Os ataques foram predominantemente direcionados à Coronavac, que é produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Prova disso, depois do anúncio sobre a partida de Tarcísio Meira, a palavra Coronavac se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter (trending topic).
Essa perseguição é estimulada pelos desserviços à nação prestados pelo presidente Jair Bolsonaro, personificação da irresponsabilidade e falta de credibilidade. A Coronavac foi a primeira vacina aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aplicada no Brasil. Por questões político-eleitoreiras, desde o início, Bolsonaro em comportamento estapafúrdio se posicionou como um dos maiores críticos do imunizante.
Em 21 de outubro de 2020, Bolsonaro expressou seu posicionamento tacanha e inconsequente contra a Coronavac da seguinte forma: “A vacina chinesa de João Doria, qualquer vacina antes de ser disponibilizada à população, deve ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Minha decisão é a de não adquirir a referida vacina”. Em 10 de novembro de 2020, ele voltou a atacar de forma infundada a Coronavac: “Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la”.
Vale lembrar que, contraditoriamente, até hoje o presidente defende o uso da cloroquina como medicamento contra a Covid-19, mesmo após esse suposto tratamento ter sido descartado pela ciência. A própria Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), instância de assessoramento do Ministério da Saúde brasileiro, não recomenda a utilização de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19.
Uma das principais fontes de estímulo às postagens enganosas contra os imunizantes é o presidente Bolsonaro. Produzir e compartilhar fake news contra as vacinas é uma estupidez perversa.
As mortes após o esquema vacinal completo são mínimas. Apenas 3,7% das mortes por Covid-19 são de pessoas completamente imunizadas. Em pessoas com mais de 70 anos de idade esse percentual pode chegar a 8,8%. A morte do ator Tarcísio Meira se enquadra nesses casos de exceção. Caso infectada, a maior parte das pessoas imunizadas não desenvolve as formas mais graves da doença. A atriz Glória Menezes, com 86 anos de idade e esposa de Tarcísio, é um exemplo disso. Ela foi internada no mesmo período do marido, não desenvolveu o quadro mais grave da Covid-19 e está em recuperação.
Para reforçar a proteção é relevante, mesmo depois de completar a vacinação, a população continuar utilizando máscaras, evitando aglomerações e redobrando os cuidados com a higienização das mãos.